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Hospitais sem 'stock' obrigam doentes de longe a ir todas as semanas buscar medicação - associação

Lusa
27-03-2026 13:41h

A Associação Nacional dos Doentes com Artrite Reumatoide (A.N.D.A.R.) denunciou hoje casos de doentes obrigados a fazer todas as semanas mais de 100 quilómetros para levantar medicação porque os hospitais não têm ‘stock’.

Em declarações à Lusa, Arsisete Saraiva, da A.N.D.A.R., apontou o exemplo de uma doente que vive na Lourinhã, é seguida no Hospital Beatriz Ângelo e tem uma autorização especial desta unidade de saúde para levantar medicação de três em três meses, quando vai à consulta.

“Ainda assim, continuam a obrigar a doente a vir da Lourinhã, fazer 160 quilómetros, todas as semanas para levantar uma caneta da medicação [que dá para uma semana]. A justificação agora é que não têm ‘stock’”, explicou a responsável, acrescentando que a unidade de saúde hoje pediu emprestada uma caixa de quatro canetas a outro hospital para poder servir a utente.

A Lusa contactou o Hospital Beatriz Ângelo para obter explicações relativamente a estes casos e à falta de ‘stocks’, e aguarda resposta.

Arsisete Saraiva contou ainda outro caso de um utente que viu o Hospital Garcia de Orta negar-lhe duas embalagens de uma medicação em que cada uma que dá apenas para 28 dias.

“Como estes comprimidos têm uma semivida de 24 horas o doente tem mesmo de ter outra caixa em casa pois se fizer algum intervalo o que tomou para trás perde toda a eficácia”, explicou, sublinhando que isto também causa um stresse acrescido nos utentes e que estas dificuldades se fazem sentir em várias unidades hospitalares.

Numa reportagem emitida na quinta-feira à noite, a RTP deu conta de que há hospitais a pedir emprestados medicamentos a outras unidades, por falta de 'stock', para não interromper o tratamento dos utentes.

Um despacho de agosto de 2024, da então secretária de Estado da Saúde, definiu que os medicamentos dispensados em regime de proximidade - nos serviços farmacêuticos da unidade hospitalar onde são prescritos, noutra unidade de saúde, ou na farmácia comunitária - devem abranger um período de dois meses.

Este despacho deveria produzir efeitos a partir do dia 01 de janeiro de 2025.

A responsável da A.N.D.A.R., que levanta nos hospitais medicamentos para utentes no âmbito de um projeto que a associação tem desde a pandemia, diz as regras são aplicadas de forma diferente consoante o hospital e as comissões de farmácia, órgãos técnicos consultivos das unidades de saúde, responsáveis pela seleção, padronização e uso racional e seguro de medicamentos.

Arsisete Saraiva lamenta ainda que algumas comissões de farmácia apliquem os seus critérios de prescrição e não cumpram muitas vezes o que o médico prescreve: “obrigam o médico a preencher documentos com a ficha clínica do doente e depois eles é que querem ter os critérios de prescrição”.

A responsável lamenta que a medicação para os doentes com artrite reumatoide ainda não esteja a ser dispensada na farmácia comunitária, pois tem a mesma classificação de outros medicamentos que já ali são dispensados.

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