O Movimento de Utentes do Hospital de Santo Tirso organiza no sábado, pelas 15:00, uma tribuna pública em defesa da gestão pública do Hospital de Santo Tirso, denunciando negociações à porta fechada para entregar o equipamento à Misericórdia.
Questionado pela Lusa sobre “reuniões secretas” mencionadas em comunicado pelo movimento, João Ferreira, da organização do evento, respondeu que são entre “o novo Conselho de Administração [da ULS Médio Ave] e o Governo, para a transferência do hospital para a gestão da Misericórdia [de Santo Tirso]”.
Em 12 de dezembro de 2024, o primeiro-ministro anunciou que o hospital de Santo Tirso passaria a ser gerido pela misericórdia local, situação que, no comunicado, o movimento classificou de “decisão tomada à revelia dos trabalhadores e dos utentes” e caracterizada pela “arrogância de quem governa para os interesses privados e a desconsideração por quem, todos os dias, com o seu suor e dedicação, sustenta o Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.
Na anterior tribuna pública, em 15 de março de 2025, o presidente da Câmara de Santo Tirso, Alberto Costa, disse ter recebido da ministra da Saúde, com quem reunira na véspera, a indicação de que estava em curso um estudo sobre a transferência da gestão do hospital local e que provavelmente só estaria pronto após as eleições legislativas, que decorreram a 18 de maio.
Mais de um ano depois, João Ferreira afirma desconhecer se o estudo está concluído, mas refere que sem esse trabalho estar completo “não há mudança, porque uma das obrigações que decorrem da própria lei é que a transferência só pode ser feita depois de apresentado um estudo que demonstre que a transferência produzirá um corte de 25% das despesas, do ponto de vista orçamental, face à comparação da prestação entregue no SNS”.
Neste contexto, assegura o membro do movimento, para se cumprir a redução de 25% das despesas, será via “degradação das condições de trabalho dos profissionais de saúde e, ao mesmo tempo, da perda de valências ou de capacidade para prestar os tratamentos que hoje são prestados”.
João Ferreira assinala, todavia, que os serviços hoje prestados “já o são com muitas limitações, porque há um período de esvaziamento das valências, desde o encerramento da maternidade no início do século até a transferência de cada vez mais competências para a unidade em [Vila Nova de] Famalicão”, constatando-se “uma perda, um desmantelamento que é contínuo, e que se perspetiva que será aprofundado com a transferência para a misericórdia”.
No entretanto, o movimento faz saber que “não aceita este caminho de esvaziamento de valências do hospital e de privatização encapotada”, e quer mobilizar a população do concelho para que aquela unidade de saúde “se mantenha pública e reforçada com mais meios, mais profissionais e mais valências”, continua o comunicado.
“A nossa perspetiva é de não deixar morrer a luta pelo hospital, nem nos resignarmos à ideia de que essa transferência é uma inevitabilidade e que acabará por acontecer”, insistiu João Ferreira.
No sábado, assinala o comunicado, a luta será pela gestão pública do hospital, sem entregas ou concessões, pelo reforço imediato do SNS, com mais investimento e contratações, a valorização das carreiras dos profissionais de saúde, que são a espinha dorsal do serviço, e pelas valências e equipamentos modernos que sirvam o povo e as suas necessidades.
O comunicado termina com o movimento a pedir um novo hospital, construído de raiz, que seja uma casa digna para quem cuida e para quem é cuidado.