A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, apelou hoje às grávidas para que sejam acompanhadas e tenham os bebés no Serviço Nacional de Saúde (SNS), mostrando-se preocupada com a falta de segurança dos partos “feitos em condições caseiras”.
“Verdadeiramente, são os partos que nos preocupam, porque são feitos em condições caseiras e, mesmo respeitando a opção das famílias, é preciso dizer que não são partos seguros”, alertou a governante, em declarações aos jornalistas em Évora.
Ana Paula Martins falava a propósito de uma notícia do semanário Expresso que indica que 1.207 grávidas decidiram ter os filhos fora do hospital, nos últimos sete anos, com base num cálculo da Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras.
Segundo a mesma notícia, das mais de 1.200 grávidas que não queriam recorrer a um hospital para o parto, 220 (18,39%) acabaram por ser transferidas para uma urgência, sobretudo durante a fase ativa do parto (71,62%), devido a complicações.
Nas declarações aos jornalistas, a titular da pasta da saúde salientou que “um parto chamado normal e uma gravidez de baixo risco” podem “de repente” deixar de o ser.
“Por isso mesmo é que dizemos a todas as grávidas que estão neste país, venham ter com o SNS. Estamos aqui para vos receber e acompanhar, porque o que não podemos ter é grávidas e bebés em Portugal que não sejam acompanhados”, referiu.
Ana Paula Martins apontou que o país tem o “grande dever de manter as taxas de mortalidade infantil e materna dentro das melhores da Europa e do mundo”, pelo que, “entre outras coisas, tem que haver segurança no parto”.
“Essa é a razão pela qual estamos a tomar esta medida que estamos a tomar, ainda que gostaríamos que fosse com caráter temporário”, realçou, aludindo à criação das urgências externas centralizadas de âmbito regional de Ginecologia e Obstetrícia.
Com as urgências externas centralizadas, de acordo com a ministra, consegue-se ter equipas “robustas e reforçadas” para dar resposta às grávidas.