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Moçambique e Essuatíni reforçam cooperação no combate à febre aftosa

LUSA
18-08-2026 19:50h

Moçambique e o Reino de Essuatíni anunciaram hoje o reforço da cooperação no controlo da febre aftosa e de outras doenças transfronteiriças dos animais, com troca de informação epidemiológica e coordenação de medidas de prevenção.

O anúncio aconteceu durante uma visita de uma delegação técnica de Essuatíni para acompanhar no terreno a campanha moçambicana de vacinação contra a febre aftosa, na província de Maputo, sul do país.

O diretor-adjunto de Sanidade e Biossegurança de Moçambique, Abel Chilundo, disse à comunicação social que o reforço da cooperação entre os dois países é essencial para proteger os efetivos pecuários, uma importante fonte de rendimento para as famílias que vivem nas zonas fronteiriças.

"A maioria dos produtores destas regiões pertence ao setor familiar e depende diretamente da pecuária para a sua subsistência", assinalou.

Por sua vez, a representante dos Serviços Veterinários do Reino de Essuatíni, Sihle Mdluli, destacou as semelhanças entre as estratégias adotadas pelos dois países no combate à doença.

"Tudo o que estão a fazer aqui é exatamente o que também fazemos em casa", afirmou.

Mdluli explicou ainda que, em Essuatíni, os animais vacinados são posteriormente marcados como parte das medidas de vigilância e controlo sanitário.

Sobre a imunização dos animais em Moçambique, Abel Chilundo explicou que a campanha de vacinação está a ser implementada prioritariamente nas províncias consideradas de maior risco, nomeadamente Tete, Gaza, Maputo e Manica: "Neste momento podemos garantir que temos quantidade de vacinas suficiente", disse.

Segundo Chilundo, Moçambique dispõe atualmente de cerca de 400 mil doses de vacinas contra a febre aftosa em ‘stock’ e prevê receber mais de um milhão de doses adicionais de forma faseada.

A entrega gradual resulta, segundo o dirigente, das limitações de produção do fabricante para disponibilizar de uma só vez todas as vacinas adquiridas pelo país.

As autoridades dos dois países consideram também que a troca de experiências e a coordenação das ações de vigilância epidemiológica poderão melhorar a resposta às doenças transfronteiriças, protegendo a produção pecuária e os meios de subsistência das comunidades dependentes do setor.

O ministro da Agricultura anunciou em junho a extensão da campanha de vacinação animal até julho, após constrangimentos logísticos, prevendo investir 515 mil euros para retomar a produção nacional de vacinas.

O ministro Roberto Albino avançou na altura que o alargamento do prazo surge para responder aos constrangimentos logísticos da campanha que se iniciou em 29 de abril, desde logo a chegada da vacina em quantidades fracionadas, “não permitindo” a vacinação dos animais até 30 de maio, conforme estava previsto.

O ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas recordou que nesta campanha estão a ser vacinados 2,4 milhões de bovinos contra carbúnculo hemático, um milhão contra carbúnculo sintomático, 2,4 milhões contra febre aftosa e 1,3 milhões contra dermatose nodular.

Num comunicado divulgado em 29 de abril, o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas assinalou que o Governo moçambicano está determinado em prevenir a ocorrência de doenças nos animais - particularmente nos bovinos -, que possam comprometer os níveis de produção e produtividade pecuária, com impactos significativos na economia nacional.

Em 14 de abril, o Governo avançou que em relação a 2024 o número de focos de doença animal em Moçambique aumentou 63% em 2025, para 542, matando 25 mil bovinos, antecipando o lançamento da campanha de vacinação nas áreas de risco.

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