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Profissionais de saúde moçambicanos voltam a prorrogar greve por mais 30 dias

Lusa
16-03-2026 16:24h

Os profissionais de saúde moçambicanos prolongaram hoje por mais 30 dias a greve iniciada em 16 de janeiro, alegando falta de responsabilidade do Governo nos compromissos assumidos e apontando 1.800 mortes desde então nas unidades sanitárias.

"Esta decisão não foi tomada de forma leviana. Trata-se de uma decisão ponderada, baseada na responsabilidade que temos para com os profissionais da saúde e para com o povo moçambicano. A greve continua a ser um instrumento legítimo de reivindicação perante a falta de soluções estruturais para os problemas que afetam o setor nacional de saúde", disse hoje, em conferência de imprensa, em Maputo, o presidente da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM). 

Segundo Anselmo Muchave, no processo de diálogo com o Ministério da Saúde, no âmbito da greve, foram estabelecidas recomendações concretas para ultrapassar pontos críticos que afetam o funcionamento do sistema de saúde.

"Até ao momento desta conferência de imprensa, nenhuma destas recomendações foi oficialmente apresentada ou comunicada à APSUSM. O silêncio do Ministério da Saúde perante compromissos assumidos demonstra, infelizmente, uma preocupante falta de responsabilidade institucional e reforça a perceção de ausência de soluções concretas para a crise que afeta o SNS [Serviço Nacional de Saúde]", disse hoje Muchave, pedindo que os compromissos estabelecidos avancem, já que o contrário "enfraquece os esforços de resolução da crise".

A greve, convocada para reivindicar o pagamento completo do 13.º salário de 2025 (contra os 40% aprovados pelo Governo) e melhores condições de trabalho no setor, foi prorrogada uma primeira vez, em 16 de fevereiro.

Segundo Muchave, a realidade vivida diariamente nas unidades sanitárias continua marcada por enormes dificuldades, entre as quais destacou a escassez de medicamentos essenciais e a falta de material médico-cirúrgico, situação que, disse, já levou à perda de mais de 1.800 moçambicanos.

O diretor Nacional de Assistência Médica, Nelson Mucopo, afirmou, em 27 de fevereiro, desconhecer se a greve anunciada e prorrogada então pelos profissionais do setor está em curso, alegando a presença dos funcionários nos hospitais, apesar da paralisação convocada por aquela associação, que abrange cerca de 65.000 profissionais de saúde de diferentes departamentos.

Por seu turno, Muchave, referindo-se à recente informação do ministro da Saúde, Ussene Isse, na Assembleia da República, segundo a qual os medicamentos encomendados pelo Governo poderão chegar ao país apenas dentro de cerca de 18 meses, afirmou que o prazo levanta "profundas preocupações" sobre a capacidade de resposta do sistema de saúde neste período de espera.

"Mesmo que os medicamentos cheguem dentro desse prazo, permanece outra questão fundamental, quanto tempo levará para que esses medicamentos sejam distribuídos em todas as províncias, distritos e unidades sanitárias do país? Até lá, quantas vidas poderão ser perdidas por falta de medicamentos, por falta de material médico e por falta de condições adequadas de atendimento?", questionou.

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