Mais de 13.400 utentes aguardam por uma cirurgia nos Açores, segundo dados da Direção Regional da Saúde, relativos a fevereiro, que apontam para um crescimento da lista de espera de 9,5% face ao período homólogo.
No final de fevereiro, estavam inscritos para cirurgia 13.480 utentes nos Açores, mais 1.172 (9,5%) do que no mesmo mês em 2025, de acordo com o boletim informativo mensal da Unidade Central de Gestão de Inscritos para Cirurgia dos Açores, consultado hoje pela agência Lusa.
Os dados não eram atualizados na página da Direção Regional da Saúde desde dezembro.
Há quase três anos (desde maio de 2023) que o número de pessoas a aguardar por uma cirurgia nos Açores é superior ao registado no período homólogo.
Ao contrário do que aconteceu nos meses anteriores, em fevereiro houve, no entanto, uma redução do número de inscritos face ao mês anterior, em 0,3% (menos 38 utentes).
Em janeiro, aguardavam por uma cirurgia 13.518 utentes, o número mais elevado desde que há registos na página da Direção Regional da Saúde (2017).
O Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, era o que apresentava mais utentes a aguardar por uma cirurgia (8.937), no final de fevereiro.
Afetado por um incêndio em maio de 2024, o maior hospital da região registou a maior subida homóloga da lista de espera cirúrgica, contabilizando mais 983 doentes inscritos (12,4%) do que em fevereiro de 2025.
O Hospital da Horta (HH), com 1.398 inscritos, apresentava mais 122 utentes em espera (9,6%) do que em fevereiro de 2025, enquanto o Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT) contabilizava 3.164 doentes inscritos, mais 67 (2,2%) do que no período homólogo.
Já na comparação com o mês anterior, a lista de espera no HDES manteve-se igual, enquanto no HSEIT baixou 0,6% (menos 19 utentes) e no HH 1,5% (menos 21 utentes).
Há utentes a aguardar por mais do que uma cirurgia, por isso o número de propostas cirúrgicas em lista de espera é superior.
No final de fevereiro, atingia 14.964, menos 60 (0,4%) do que em janeiro, mas mais 1.320 (9,7%) do que no período homólogo.
Em janeiro, o número de propostas cirúrgicas em lista de espera ultrapassou as 15 mil, pela primeira vez, desde que há registos.
Apesar da diminuição de utentes em espera, a produção cirúrgica nos Açores baixou em fevereiro.
Segundo o relatório, foram realizadas 685 cirurgias, menos 61 (8,2%) do que no mês anterior e menos 32 (4,5%) do que no período homólogo.
Apenas o HDES, que contabilizou 337 cirurgias, verificou um aumento homólogo (19,1%). No HSEIT foram realizadas 248 cirurgias (menos 13%) e no HH 100 (menos 32,9%).
Segundo a Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social, o boletim apresenta apenas os números da produção acrescida, no âmbito do programa CIRURGE, não contabilizando as cirurgias realizadas no período normal nos hospitais.
No final de fevereiro, os açorianos aguardavam, em média, 488 dias (cerca de um ano e quatro meses) por uma cirurgia, mais 33 dias do que no mesmo mês em 2025.
No hospital de Ponta Delgada, o tempo médio de espera atingia 527 dias (mais 36), no da ilha Terceira 422 dias (mais oito) e no da Horta 389 dias (mais 54).
Nas três unidades de saúde, o tempo médio de espera estava acima dos tempos máximos de resposta garantidos (TMRG) regulamentados, que preveem que uma cirurgia com prioridade normal seja realizada no máximo em 270 dias.
Das cirurgias realizadas em fevereiro nos Açores, cerca de metade (51,7%) ocorreu dentro dos TMRG, menos nove pontos percentuais do que no período homólogo (60,7%).
Neste mês, deram entrada nos três hospitais da região 912 novas propostas cirúrgicas, menos 203 (18,2%) do que em janeiro e menos 135 (12,9%) do que em fevereiro de 2025.
Verificaram-se ainda 300 cancelamentos de cirurgias, o que representou um aumento de 8,3% em relação ao mês anterior e de 23,5% face ao período homólogo.