Milhares de pessoas desceram este domingo a Avenida da Liberdade até à zona ribeirinha de Lisboa no Dia Internacional da Mulher, defendendo mais igualdade e medidas concretas para colmatar o fosso entre homens e mulheres.
“Este é o dia em que assinalamos o dia dos direitos das mulheres e que honramos todas as pessoas, todas as mulheres que lutaram tanto para conseguirmos chegar aonde estamos, que é muito diferente de onde já estivemos, e que continuam a lutar todos os dias para garantir que temos direitos iguais, porque uma sociedade com direitos iguais é uma sociedade em que as pessoas são mais livres, em que têm a capacidade de cumprir aquilo que querem para a sua vida, e aí estamos a falar tanto de homens como mulheres”, disse a líder do Livre, em declarações aos jornalistas durante a marcha que decorreu esta tarde em Lisboa.
“Todos beneficiamos com uma sociedade com direitos iguais, mas ainda há muito por fazer, continuamos a ter uma sociedade com vários laivos machistas, que continua a prejudicar de forma muito desproporcional as mulheres, isso é evidente olhando para os números da violência doméstica”, acrescentou Isabel Mendes Lopes.
Na mesma linha, a líder do Pessoas Animais Natureza (PAN) salientou que “em Portugal, só no ano passado, das 25 pessoas que morreram em contexto de violência doméstica, 22 eram mulheres, e as restantes eram crianças”.
Inês de Sousa Real considerou que existe ainda um “longo caminho a percorrer para poder diminuir o fosso da igualdade em várias dimensões, seja de dimensão laboral, seja também na dimensão do acesso aos cargos de poder”.
O PAN, que apresentou um conjunto de diplomas no Parlamento para proteger os direitos das mulheres, criticou ainda o Executivo, alertando para um “retrocesso” nos direitos das mulheres.
“Não basta em tempos de campanha eleitoral dizer que estamos todos ao lado dos direitos das mulheres e depois, quando se está no governo, não se ter políticas públicas que possam traduzir-se nisso mesmo”.
Também presente na marcha pelos direitos das mulheres, o dirigente do Bloco de Esquerda José Manuel Pureza salientou que “os direitos das mulheres são uma das principais causas da democracia” e, por isso, a luta é comum a todas as pessoas.
“Esta luta é uma luta de homens e de mulheres, porque todas essas conquistas foram conquistas em favor da decência da sociedade, em favor da justiça da sociedade e, por isso, elas devem, e têm mesmo que unir mulheres e homens”, defendeu.
Para uma das porta-vozes da Plataforma Feminista, a participação em manifestações como a deste domingo é muito importante porque “o mundo está a ser levado pela extrema-direita e o governo do PSD está a deixar-se de levar pela extrema-direita e também pelas suas propostas”.
As manifestações desta tarde em Lisboa, organizadas pelo Movimento Democrático de Mulheres (MDM) e pela Plataforma Feminista, abrangeram dezenas de cidades portuguesas, tendo havido eventos marcados no Porto, Faro, Santiago do Cacém, Portalegre, Torres Novas, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu.