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Mau Tempo: Equipas em Leiria encontraram casos de privação de sono e ansiedade

Lusa
28-02-2026 18:43h

Psicólogos que andam a prestar apoio às populações afetadas pela depressão Kristin no concelho de Leiria encontraram casos de privação de sono e grande ansiedade, mas, passado um mês, surgem sinais de maior estabilidade emocional e resiliência.

Catarina Marcelino, psicóloga da Câmara de Leiria na área da educação, andou ao longo do mês por quase todas as freguesias do concelho a dar, numa primeira fase, “os primeiros socorros psicológicos” às populações afetadas, num serviço em que o município mobilizou profissionais da autarquia, mas também de instituições particulares de solidariedade social (IPSS) e da Ordem dos Psicólogos.

No terreno, a psicóloga encontrou, nessa primeira fase, “grande instabilidade emocional, tristeza e revolta”, quase sempre “associada a sentimentos de perda, como é o caso das habitações destruídas”.

Leila Carvalho, psicóloga que tem estado no terreno através do projeto de voluntariado Leiria Unida, encontrou algumas pessoas “extremamente ansiosas e preocupadas com as suas casas, com os seus animais, com as suas hortas”.

“A grande preocupação é perceber como vai ser reabilitada a sua casa”, diz a psicóloga que mora em Sintra, e que viu pessoas a acordar a meio da noite, “assustadas e com pesadelos”.

Além disso, Leila Carvalho alerta para a necessidade de identificação de casos não sinalizados, de pessoas “que estão mais em silêncio e que, por vezes, são as que mais precisam de ajuda”.

Rui Ribeiro, terapeuta também ligado à Leiria Unida, salienta a sensação de desamparo que encontrou em algumas das pessoas que ouviu no terreno, em casos de grande isolamento social.

“Encontrei uma solidão muito profunda e uma tristeza muito grande. Chegam quase a perder a razão de viver”, notou Rui, recordando que há quem entre em estágios de ansiedade assim que ouve um vento mais forte.

Também ele viu na perda da casa a maior preocupação, depois da habitação das pessoas - “o seu porto seguro” – ter-se transformado numa ameaça.

Para a psicóloga da Câmara de Leiria Neuza Carvalho, nos primeiros dias, a instabilidade estava sobretudo relacionada com necessidades materiais, como a ausência de comida, luz, água ou falta de comunicação, tendo identificado casos de privação de sono de até uma semana.

Um mês depois, a psicóloga nota já uma “maior capacidade de adaptação” das pessoas à situação e vão desaparecendo as reações mais exacerbadas.

“As ansiedades e os medos, sons e imagens intrusivos, que implicavam reações intensas estão a diminuir, o que é expectável e positivo”, constata.

Segundo Neuza Carvalho, o acompanhamento que tem havido mostra “resiliência da população”, considerando que é preciso dar um espaço de três a quatro meses para perceber alguma marca mais profunda que fique.

Daí a psicóloga realçar a importância desta primeira resposta no campo da saúde mental, para garantir que “essas marcas não fiquem”.

“Esse trabalho foi feito e traz estes resultados positivos, que agora passadas quatro semanas, essas pessoas estão muito mais estáveis e tranquilas”, salientou.

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