O Instituto Politécnico de Coimbra está a apoiar a criação da primeira licenciatura na área da nutrição na Guiné-Bissau, no âmbito de uma parceria formalizada hoje para formação de profissionais num país marcado pela insegurança alimentar e desnutrição.
A Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Politécnico de Coimbra (ESTeSC-IPC) e a Escola Nacional de Saúde da Guiné-Bissau (ENSGB) assinaram hoje, em Coimbra, um protocolo para o trabalho conjunto na criação da primeira licenciatura em Dietética e Nutrição na Guiné-Bissau.
No país africano, e de acordo com dados da Organização das Nações Unidas disponibilizados pela Escola Superior de Coimbra, “22 por cento das famílias guineenses vivem em situação de insegurança alimentar e 28 por cento das crianças com menos de cinco anos apresentam desnutrição crónica”.
Uma problemática que nem sempre está associada à ausência de alimentos, mas a uma “baixa literacia em nutrição” por parte da população em geral, que tem no arroz a base alimentar.
Na Guiné-Bissau não existe formação na área, uma realidade que a parceria académica pretende colmatar com a primeira licenciatura em Dietética e Nutrição daquele país.
De acordo com uma nota divulgada à imprensa pela instituição portuguesa, “além de apoiar na conceção do plano de estudos do curso, cujas atividades iniciaram este ano letivo, a ESTeSC-IPC será responsável por lecionar parte das unidades curriculares”.
O acordo, como explica, é mediado pela Associação HELPO – Organização Não Governamental para o Desenvolvimento, com a qual a ESTeSC-IPC colabora no âmbito do projeto “Conhecer a Nutrição – programa de prevenção da doença através da nutrição saudável”.
A instituição destaca que além de pioneira no país, “o curso foi desenhado em colaboração com os docentes da Unidade Científico-Pedagógica de Dietética e Nutrição da ESTeSC-IPC e está a funcionar desde outubro”.
A partir do segundo semestre, os docentes da ESTeSC-IPC passarão também a lecionar algumas unidades curriculares, em Bissau.
“A licenciatura em Nutrição é uma necessidade de Saúde Pública da Guiné-Bissau”, afirmou o diretor da ENSGB, Adelino José de Pina, após a assinatura do protocolo, citado na nota de imprensa.
O responsável guineense lamenta “a quase inexistência de profissionais de nutrição no país” e mostrou-se convicto de que “com o apoio da ESTeSC-IPC, a Saúde da Guiné-Bissau vai conhecer momentos bons”.
O protocolo hoje celebrado abre ainda “a possibilidade de alargar a colaboração a outras áreas de formação da ENSGB”, nomeadamente Análises Clínicas, Farmácia ou Imagem Médica e Radioterapia.
O presidente da ESTeSC-IPC, Graciano Paulo, acredita que este protocolo possa ser “o primeiro passo para algo mais ambicioso” e encara “esta parceria com muito interesse”.
“Portugal tem obrigação de cooperar ao mais alto nível com instituições parceiras da comunidade CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa”, considerou, segundo o comunicado.
Segundo a fonte, os docentes de Dietética e Nutrição da ESTeSC-IPC estão ainda a apoiar o desenvolvimento de um inquérito de avaliação para caracterização do estado nutricional e dos hábitos de consumo e estilos de vida da população guineense e capacitar profissionais de saúde do Instituto Nacional Saúde Pública da Guiné-Bissau (INASA) para a recolha de dados e posterior intervenção.
Este trabalho está a ser realizado no âmbito do projeto “Conhecer a Nutrição – programa de prevenção da doença através da nutrição saudável” da HELPO, implementado na Guiné-Bissau em 2025 e cofinanciado pelo Camões Instituto de Cooperação e Língua.
O programa tem como propósito combater os impactos negativos da desigualdade social e baixa literacia da população guineense no estado nutricional, por meio da capacitação de profissionais de saúde, do apoio ao ensino superior em nutrição, da criação da Associação Guineense da Nutrição e da realização de campanhas a nível nacional.