As autoridades moçambicanas afirmaram hoje desconhecer se a greve anunciada pelos profissionais do setor está em curso, face à presença dos funcionários nos hospitais, rejeitando ainda alegações desses profissionais apontando mais de 700 mortos por falta de assistência.
“Nós, neste momento, não podemos falar do impacto da greve porque não temos noção se esta greve está mesmo a acontecer ou não. O que temos verificado nas nossas unidades sanitárias é que os funcionários todos se apresentam ao serviço e fazem o seu serviço com alguma normalidade”, disse o diretor Nacional de Assistência Médica, Nelson Mucopo, em conferência de imprensa, em Maputo.
O responsável respondia a perguntas de jornalistas sobre a prorrogação da greve por mais 30 dias, anunciada em 16 de fevereiro pela Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), que relatou na altura que mais de 725 pessoas morreram por falta de condições de atendimento nas unidades sanitárias, desde janeiro, aquando do início do primeiro período de paralisação.
O diretor Nacional de Assistência Médica disse que desconhece esses números de mortos avançados antes pela associação dos profissionais da Saúde: “Não posso comentar sobre esses dados, uma vez que não tenho conhecimento de onde a APSUSM foi buscar esses dados, eventualmente eles têm as suas fontes, mas aquilo que são as nossas fontes normais de recolha de dados, nós não temos conhecimento dessas mortes”.
“O que está a acontecer é que temos uma taxa de mortalidade intrahospitalar e, em princípio, nos últimos tempos, não houve nenhuma alteração”, acrescentou, indicando que essa taxa “continua estável” no país, embora sem concretizar.
O ministro da Saúde moçambicano, Ussene Hilário Isse, disse anteriormente que a greve dos profissionais do setor é “uma tristeza”, admitindo haver problemas logo após o anúncio de prorrogação da paralisação.
O setor da saúde enfrenta, há quatro anos, greves e paralisações convocadas pela Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), que abrange cerca de 65.000 profissionais de saúde de diferentes departamentos.
Além de pagamento de horas extraordinárias, estes profissionais exigem melhores condições de trabalho, incluindo a disponibilização de medicamentos e material hospitalar.
O Sistema Nacional de Saúde moçambicano enfrentou também, nos últimos três anos, diversos momentos de pressão, provocados por greves convocadas pela Associação Médica de Moçambique (AMM) exigindo melhorias das condições de trabalho.