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Acesso à PrEP de base comunitária continua bloqueado por falta de financiamento

ALS/Canal S+
27-02-2026 15:30h

O GAT (Grupo de Ativistas em Tratamentos) continua à espera que a Unidade Local de Saúde São José (ULS São José) assine o protocolo que viabiliza a realização das primeiras consultas de PrEP (Profilaxia Pré-Exposição). Entretanto, suspendeu as primeiras consultas, iniciadas em Julho de 2025 com verbas próprias.

Como forma de combater as listas de espera para uma primeira consulta de PrEP, foi assinada em 2019 uma circular que permite a organizações de base comunitária iniciarem um projeto piloto de PrEP comunitária.

Ouvido pelo Canal S+, Ricardo Fernandes, Diretor Executivo do GAT, explicou que “houve uma alteração legislativa que permite, de facto, que três organizações possam fazer PrEP comunitária em Portugal, duas em Lisboa e uma no Porto, como uma experiência piloto”.

A questão esbarra na dependência das Unidades Locais de Saúde, pois é às ULS que cabe “apoiar essas organizações do ponto de vista logístico e também do ponto de vista financeiro e isso prevê a assinatura de um protocolo que até ao momento não foi possível”

Ricardo Fernandes recordou uma investigação do próprio GAT, segundo a qual “pelo menos 20 pessoas que tinham sido referenciadas para PrEP, que tinham contraído o VIH enquanto aguardavam pela primeira consulta num hospital”.

Por ausência desse enquadramento financeiro e contratual, o GAT decidiu em julho de 2025, avançar com recursos próprios e abrir primeira consulta de PrEP centros Check Point Lisboa e Intendente.

Ricardo Fernandes, Diretor Executivo do GAT, adiantou ao Canal S+ que estão cerca de 700 pessoas em lista de espera.

O Conselho de Administração da ULS São José mudou recentemente e o GAT encontra-se agora “à espera de uma reunião para perceber se, de facto, isto irá acontecer. Também temos feito esforço junto do Ministério da Saúde e a ideia é nós continuarmos a tentar porque os recursos estão lá, só falta, de facto, haver o financiamento e a parceria das ULS”.

O Diretor Executivo do GAT explicou ainda que há mais organizações a aguardar: “é o GAT, é a Abraço e é a Liga Portuguesa Contra a SIDA, que são as três organizações que poderão ter esta resposta. Até ao momento, pelo menos daquilo que eu conheço, nenhuma das três organizações conseguiu assegurar um protocolo com as ULS”.

Inércia que, na opinião de Ricardo Fernandes, tem impacto na meta que Portugal se propõe atingir, ou seja, de eliminar o VIH até 2030, como propôs a ONUSIDA.

Neste momento, há serviços de PrEP a nível hospitalar com mais de um ano de espera o que, para Ricardo Fernandes, “isto diz tudo sobre a pressão que existe, é a vontade que as pessoas têm de fazer PrEP e a necessidade que sentem, porque ninguém decide tomar um medicamento diariamente ou on demand porque tem um gosto qualquer”.

O Diretor Executivo do GAT adiantou ainda que o “financiamento no caso do GAT é para 1.500 pessoas em PrEP. Obviamente que estas 1.500 pessoas, como eu disse, as pessoas não ficam em PrEP a vida toda, vão rodando, portanto, é um teto e não um número absoluto de pessoas”.
Para além da lista de espera, Ricardo Fernandes, entende que não faz sentido que, quem quer fazer PrEP, tenha que ir a uma consulta altamente diferenciada.

 

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