A ministra da Saúde disse hoje que o Governo está “totalmente aberto” à abertura de mais Centros de Responsabilidade Integrada (CRI) na área da cirurgia cardíaca, se a Direção-Geral da Saúde (DGS) e os peritos concordarem.
“O Governo está totalmente aberto a que, se depois destas reuniões, se chegar à conclusão de que, para responder em tempo útil, além do investimento nos atuais centros, é preciso avançar, e se a DGS tiver um parecer claro, podemos encontrar formas [de resolver o problema]”, disse a ministra, referindo-se à lista de espera de utentes que aguardam cirurgia e aos que têm sido operados fora do prazo máximo garantido.
Ana Paula Martins, que falava durante a audição regimental que hoje decorre na comissão parlamentar de Saúde, disse ainda que esta semana vão decorrer reuniões com os CRI do Norte (Braga e S. João) e também do Centro (Coimbra) e Lisboa (Santa Maria e S. José) para tentar definir um plano para escoar as listas de espera, reconhecendo que há, em média, 36% dos utentes operados fora do tempo.
O Diário de Notícias escreve hoje que a DGS quer reavaliar o modelo de centros de referência em cardiologia e outras áreas para garantir “melhor tratamento” aos doentes, depois das notícias sobre os atrasos na resposta de cirurgia nestes centros.
Quatro serviços de cardiologia do Norte alertaram há dias para as listas de espera, dizendo que “há doentes em risco” e, na semana passada, em entrevista à RTP, o diretor de serviço de Cardiologia da ULS Santo António revelou que 10 doentes morreram nos últimos três anos devido a uma “lista de espera demasiado elevada” só neste unidade de saúde.
Na sequência desta denúncia, na sexta-feira, o Ministério da Saúde informou que tinha ordenado uma “avaliação urgente” e disse que a denúncia sobre mortes associadas a eventual ausência de resposta está a ser “analisada com prioridade”.
Questionada hoje sobre a matéria, a ministra lembrou que a rede de referenciação já permitiu a abertura de mais dois CRI na área da cirurgia cardíaca – Braga e Algarve – e disse que o Governo estava disponível para analisar as diversas formas de resolver os atrasos na resposta, mas nunca ultrapassando a competência da direção executiva do SNS e da DGS, assim como da coordenação dos centros de referência.