As Unidades de Saúde Familiar (USF) com gestão privada de Torres Vedras, Silves e Lagos poderão avançar no segundo semestre do ano, anunciou hoje a ministra da Saúde.
Ana Paula Martins, que falava na audição regimental que decorre hoje na comissão parlamentar de saúde, explicou que, na Unidade Local de Saúde (ULS) do Oeste, foram também recebidas sete candidaturas para USF modelo C, com gestão privada, no Bombarral, em Óbidos e nas Caldas da Rainha, que estão em fase final de avaliação.
Na ULS do Algarve foram apresentadas quatro candidaturas, três das quais já selecionadas e que se referem a USF modelo C a criar em Silves e em Lagos.
“A avaliação ficará concluída esta semana e, caso o processo se finalize sem constrangimentos, estas unidades deverão igualmente iniciar atividade no segundo semestre”, disse a governante, acrescentando que este modelo de unidades de saúde “está a gerar interesse” e “há equipas disponíveis para assumir este desafio”.
Em janeiro, a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) estimou que mais de 250 mil utentes deverão ser abrangidos pelos novos centros de saúde com gestão privada (USF C) que vão abrir nas regiões com menor cobertura de médicos de família.
Além das duas USF-C previstas para Silves e Lagos, a ULS do Algarve conta abrir um outro concurso para a criação de uma unidade de saúde familiar privada para os concelhos de Albufeira, Loulé e Portimão.
Na altura, a ACSS estimou que a abertura dos restantes concursos decorresse até ao final de fevereiro, abrangendo as ULS Amadora/Sintra, Lisboa Ocidental, Loures-Odivelas, Santa Maria, São José e do Estuário do Tejo.
Com o objetivo de reduzir o número de pessoas sem médico de família, o Governo aprovou em setembro de 2024 o decreto-lei que permite a criação dos centros de saúde geridos pelos setores privado e social e pelas autarquias.
O plano de emergência e transformação da saúde previa que em julho de 2024 seriam colocadas a concurso as primeiras 20 USF-C, das quais 10 em Lisboa e Vale do Tejo, a região do país mais carenciada de médicos de família, cinco em Leiria e outras cinco no Algarve.
Em dezembro, os ministérios das Finanças e da Saúde autorizaram as ULS do Algarve, Amadora-Sintra, Estuário do Tejo, Lisboa Ocidental, Oeste, Leiria, São José e Santa Maria a suportarem os encargos com a criação destes novos centros de saúde, num montante global de cerca de 70 milhões de euros até 2030.
Segundo o portal da transparência do SNS, em dezembro de 2025 estavam inscritos nos cuidados de saúde primários mais de 10.734.672 milhões de utentes, número que tem vindo a aumentar consistentemente desde março de 2024, e 1.563.710 utentes não tinham médico de família atribuído.