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Moçambique com plano de 200 ME para resiliência na saúde face a mudanças climáticas

Lusa
20-02-2026 14:39h

Moçambique quer reduzir a vulnerabilidade do setor da saúde, assegurar a preparação antecipada contra doenças e garantir a resiliência das infraestruturas em eventos climáticos extremos num plano de 200 milhões de euros, lançado hoje, para mitigar mudanças climáticas.

O Plano Nacional de Adaptação do Setor da Saúde às Mudanças Climáticas (PNAS-MC) 2025-2030, lançado em Maputo, é um instrumento do Governo cujo “objetivo central é reduzir vulnerabilidades, reforçar a resiliência dos serviços e garantir que a adaptação em saúde esteja plenamente integrada nas políticas e instrumentos nacionais de planificação e financiamento, sem deixar ninguém para trás, promovendo em simultâneo, sistemas de saúde ambientalmente sustentáveis e de baixo carbono”.

Este plano, que quer reforçar a resiliência do sistema de saúde, está avaliado em 235 milhões de dólares (200 milhões de euros) e prevê ser financiado pela “integração progressiva no Orçamento nacional do setor e pela diversificação das fontes de financiamento”.

“De forma transversal, o PNAS-MC assegura que os investimentos em saúde são também investimentos em resiliência climática e mitigação, promovendo infraestruturas eficientes, energias limpas, mobilidade sustentável e práticas de compras verdes”, explica-se.

O documento, consultado pela Lusa, esclarece ainda que a implementação a curto prazo vai privilegiar ações institucionais, formações multissetoriais e atualização da avaliação de vulnerabilidade.

A médio prazo, a aposta é em investimentos em infraestruturas resilientes, energias renováveis, manutenção de serviços de saúde mental e de vacinação pós-choques e, a longo prazo, pretende-se consolidar o financiamento, monitoria abrangente e avaliação final do ciclo de implementação, resultando em 45 ações.

“O PNAS-MC 2025-2030 é um instrumento estratégico para proteger vidas, reduzir desigualdades e reforçar a resiliência do sistema de saúde em Moçambique. Com ações concretas, prazos definidos, orçamento estimado e mecanismos de monitoria e avaliação claros, o plano coloca a saúde no centro da adaptação climática e da sustentabilidade ambiental”, sublinha.

Ao orientar o seu lançamento, o ministro da Saúde moçambicano lembrou que o país é vulnerável a eventos climáticos extremos, pedindo apoio na implementação da iniciativa.

“Face a esta situação, era importante que o país definisse o roteiro para, de forma prévia, resolver e assistir e salvar vidas das nossas populações. [É] por isso que hoje, mais uma vez, sabemos que sobra para nós, como setor da saúde, lidar com os surtos, com as epidemias, com a má nutrição, com todas as doenças que resultam desta mudança climática”, disse Ussene Isse.

Exemplificando, apontou a epidemia da cólera que eclodiu na presente época chuvosa, alertando que o país ainda vai sofrer com o aumento de casos de malária como consequência das chuvas de janeiro e referindo que o plano é importante para assegurar a “previsibilidade e prevenção” de doenças.

“Estes eventos climáticos são barreira importante para o nosso setor em particular”, indicou o ministro da Saúde.

Para o Fundo Global, o plano vai definir ações prioritárias no âmbito da vigilância dos sistemas de alerta precoce, de infraestruturas resilientes, de preparação para a emergência em saúde e ambiental e de recursos humanos, referindo que o país lançou bases para um sistema de saúde mais resiliente.

Já o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alertou para a proteção das crianças e a necessidade de assegurar os cuidados de saúde durante e após os eventos climáticos, pedindo que se garanta alimentação para menores durante estes períodos. 

Moçambique está em plena época chuvosa, que já provocou 228 mortos desde outubro, afetando dezenas de unidades de saúde em todo o país.

O país enfrenta, ciclicamente, cheias e ciclones tropicais durante a época das chuvas, e secas severas, sendo considerado um dos mais afetados pelas alterações climáticas globais.

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