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Farmacêuticos residentes apontam "fragilidades estruturais" na formação

Lusa
20-02-2026 08:00h

Um estudo da Associação Portuguesa de Farmacêuticos Residentes (APFR) aponta “fragilidades estruturais” na formação, limitações no desenvolvimento profissional e ineficácia nos mecanismos de comunicação entre as instituições de saúde.

O trabalho, que vai ser hoje apresentado no Porto, no âmbito das Jornadas de Farmácia Hospitalar, chegou a 463 profissionais entre 2023 e 2025 e aponta também deficiências de planeamento e calendarização dos módulos durante a residência farmacêutica (formação pós-graduada).

Os farmacêuticos residentes ouvidos neste estudo falam igualmente de uma “ausência quase total” de mecanismos de notificação de incidentes no processo formativo e, sobre as condições de trabalho, dizem que lhes falta tempo para “estudo autónomo” dentro do horário laboral e apoio financeiro ou logístico para atividades científicas e formação contínua.

Estes profissionais dizem ainda que falta uma “definição clara dos critérios de avaliação e avaliação final” e apontam a necessidade de maior proximidade e acompanhamento, assim como de avaliação formal dos orientadores.

Quanto à valorização profissional, consideram que a remuneração é baixa - nomeadamente em comparação com os médicos internos e a realidade europeia - e que há uma “grande incerteza” quanto à integração futura na carreira, agravada pela “abertura de vagas desarticulada das necessidades nacionais” e pela contínua contratação de profissionais sem especialidade.

Em 2024, a associação enviou uma carta aberta ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, reivindicando um aumento urgente da remuneração e a integração efetiva da residência farmacêutica na carreira profissional.

As posições dos farmacêuticos residentes recolhidas durante este trabalho sublinham a necessidade de uma fiscalização mais ativa por parte da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) e da Ordem dos Farmacêuticos (OF) quanto ao cumprimento do programa formativo e à verificação da idoneidade das instituições de colocação.

A residência farmacêutica é um programa de formação pós-graduada, com a duração de quatro anos, que visa capacitar os farmacêuticos para o exercício autónomo e tecnicamente diferenciado nas áreas de Análises Clínicas, Farmácia Hospitalar ou Genética Humana.

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