O presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP), Fernando Curto, afirmou hoje que não foi avisado da greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar e manifestou reservas quanto à forma como a paralisação foi conduzida.
Fernando Curto sublinhou que, no setor do socorro, “não se lida com sacos de batatas, lida-se com pessoas”.
O responsável falava na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) para apurar responsabilidades durante a greve no final de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.
O presidente da ANBP recordou que já participou em greves e manifestações, mas rejeita qualquer forma de protesto que coloque em causa a capacidade de resposta às populações.
“Eu não posso fazer uma greve onde coloque em causa aquilo que é o socorro às pessoas”, afirmou, defendendo que os profissionais devem refletir “três ou quatro vezes” antes de avançarem para uma paralisação.
O dirigente considerou que a greve poderia “ter sido feita de outra maneira”, sem comprometer meios operacionais, e criticou situações em que viaturas que deveriam sair com cinco elementos partiram apenas com dois, ou ambulâncias que ficaram sem tripulante.
“Isto não pode ser assim”, alertou ao defender o cumprimento rigoroso dos serviços mínimos e da lei, afirmando que é “legalista” e que vai continuar a reivindicar direitos, mas “dentro da lei”.
Apesar das críticas, recusou atacar outros sindicatos, reconhecendo que cada estrutura “faz como entende, dentro da sua perspetiva e reivindicação”.
Ainda assim, Fernando Curto defendeu que o diálogo deve ser privilegiado até ao limite.
“Eu privilegio sempre a negociação até ao último dia, porque pode haver entendimento”, salientou.
Durante a greve dos técnicos de emergência pré hospitalar, entre 30 de outubro e 4 de novembro de 2024, registaram-se 12 mortes, três das quais associadas a atrasos no socorro, segundo a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS).
Composta por 24 deputados para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM, a CPI foi aprovada em julho do ano passado por proposta da IL.
O foco inclui a atuação do INEM durante a greve do final de outubro e início de novembro de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.