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Marcelo lembra desafios como católico mas afirma que decidiu em função do "sentir coletivo"

02-02-2026 14:56h

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou hoje desafios que enfrentou como católico nos seus mandatos presidenciais, "clivagens culturais" sobre temas como a eutanásia, mas afirmou que decidiu sempre em função do que entendia ser o "sentir coletivo".

Em declarações aos jornalistas na Embaixada de Portugal junto da Santa Sé, depois de um encontro com o Papa Leão XIV no Vaticano, o Presidente da República referiu que começou o primeiro mandato com uma cerimónia ecuménica e que antes de cessar funções haverá outra, "no começo de março", com 32 igrejas e confissões.

Interrogado se leva algum arrependimento ou algo que gostaria de ter feito e não fez, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu que "são imensas as coisas" que não pôde fazer, por falta de tempo, de ocasião ou "porque se atravessaram outras prioridades", sem querer dar exemplos.

O chefe de Estado considerou que o fim do seu primeiro mandato "teria sido diferente" se não fosse a pandemia de covid-19, entre 2020 e 2021, e reiterou que "não teria sido candidato a um segundo mandato se não houvesse a pandemia", comentando: "Era logo a diferença absoluta".

Questionado sobre os desafios que enfrentou como católico durante estes dez anos, afirmou: "Os temas que foram grandes desafios foram temas culturais, clivagens culturais na sociedade portuguesa, sobre a eutanásia, a maternidade de substituição, o alargamento ou não da interrupção voluntária da gravidez, novas conceções de família".

"Também os problemas sociais, quer dizer, as crises sociais e económicas profundas, nomeadamente por causa do que sobrou do processo anterior da 'troika', por causa da pandemia, por causa da guerra. Isso marca muito a mensagem cristã, essa componente social. E depois a reestruturação orgânica do panorama religioso português. É diferente daquilo que era há dez anos", completou.

Marcelo Rebelo de Sousa recusou, porém, que tenha sido difícil separar o exercício do cargo de Presidente da República da sua condição católico nas suas decisões, contrapondo: "Eu sou católico, afirmo-me católico, fui aos atos de culto, tomei as posições próprias de um católico, mas nas decisões eu decidi sempre pondo-me na posição daquilo que pensava que era o sentir coletivo, o sentir comunitário dominante". 

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