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Mau tempo: Resposta do Governo "está a ser particularmente ausente" - José Manuel Pureza

LUSA
30-01-2026 19:48h

O coordenador nacional do Bloco de Esquerda considerou hoje que a resposta do Governo à crise provocada pela tempestade Kristin “está a ser particularmente ausente” e que as pessoas se sentem abandonadas.

“As pessoas sentem-se abandonadas, as pessoas sentem-se não só traumatizadas por terem ficado isoladas, por terem ficado sem água, sem eletricidade durante dias a fio, mas sentem também que o Governo não está com elas, não está próximo delas a tentar resolver aquilo que são questões essenciais”, disse José Manuel Pureza em declarações à agência Lusa no Seixal, no distrito de Setúbal, à margem de uma reunião com o Sindicato das Indústrias, Energias Serviços e Águas de Portugal para discutir o pacote laboral e o trabalho por turnos.

Para José Manuel Pureza, “a resposta do Governo está a ser uma resposta particularmente ausente e nada à altura dos desafios e das exigências”.

Por outro lado, o coordenador nacional do Bloco de Esquerda responsabilizou o Governo por, depois do apagão, dos incêndios florestais e de várias situações extremas, “não ter aprendido que é necessário investir na criação de condições no território e nas comunidades para que haja resistência e capacidade para estas situações extremas”.

José Manuel Pureza destacou a questão das falhas no Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal SIRESP (rede de comunicações exclusiva do Estado Português para o comando, controlo e coordenação de comunicações em todas as situações de emergência e segurança).

“Não se aprendeu nada do ponto de vista do desempenho do operador privado, mas, mais do que tudo, não se aprendeu nada do ponto de vista da função do Governo de assegurar um recurso crítico absolutamente vital que permita aos autarcas, às forças de proteção civil, etc., de darem uma resposta de socorro que, de outra maneira, fica impedida”, frisou.

O coordenador do Bloco de Esquerda advoga que “um Governo responsável, um governo de bom senso, o que faz é justamente em altura de bonança preparar as coisas para que quando houver uma situação crítica haja resposta”.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.

Sobre a reunião de hoje com o Sindicato das Indústrias, Energias Serviços e Águas de Portugal, José Manuel Pureza explicou que foi abordada a necessidade de uma união entre as forças sindicais “para travar a agressão aos direitos de quem trabalha” do novo pacote laboral.

“A discussão do pacote laboral vai demorar tempo, vai ser um processo longo e o governo já deu a perceber que vai fazer tudo quanto estiver ao seu alcance para desgastar os sindicatos. Portanto, os sindicatos e as forças políticas, como o Bloco de Esquerda, têm a obrigação de tudo fazer para criar unidade, para manter mobilização”, disse.

No encontro, adiantou, foi também abordada a possível fusão da Galp com a Moeve, considerando que esta poderá levar à retirada do controle português, de maneira ainda mais acentuada, de um setor que tem um interesse estratégico para a vida portuguesa, como é o fornecimento de energia.

Por outro lado, sublinhou o coordenador do BE, esta fusão terá também impacto nos postos de trabalho, desde logo, na refinaria de Sines.

“Criámos aqui um acordo muito intenso sobre estas preocupações e sobre a resposta a dar a estas preocupações”, frisou.

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