Os prestadores de cuidados respiratórios domiciliários estão a ativar os seus planos de contingência para assegurar o fornecimento e reposição de dispositivos médicos e medicamentos essenciais aos utentes, na sequência da tempestade, avançou hoje à Lusa a associação do setor.
A Associação Portuguesa de Cuidados de Saúde ao Domicílio (APCSD) adiantou que, face ao impacto da depressão Kristin, as entidades suas associadas estão “a implementar os respetivos planos de contingência, com o objetivo de assegurar a continuidade dos tratamentos prestados no âmbito dos cuidados respiratórios domiciliários”.
Segundo a associação, os prestadores, que assistem mais de 90% dos doentes do Serviço Nacional de Saúde em cuidados respiratórios domiciliários, cerca de 200 mil, estão a reforçar as medidas de resposta aos doentes.
Entre as medidas, estão a identificação e o acompanhamento prioritário de pessoas com oxigenoterapia suporte de vida e ventilação domiciliária superior a 16 horas e a reforçar a capacidade dos canais de contacto com os utentes e cuidadores.
Estão também a fazer a intervenção logística necessária para assegurar, dentro das condições possíveis, o fornecimento e reposição de dispositivos médicos e medicamentos essenciais.
As empresas estão ainda em articulação com os serviços regionais de proteção civil, autoridades e unidades locais de saúde, de modo a antecipar situações de risco.
A APCSD apela a todos os utentes e cuidadores para que sigam as orientações das autoridades competentes, especialmente na utilização dos locais de carregamento elétrico disponíveis na comunidade e na ação imediata em caso de agravamento do estado clínico.
A associação salienta que os cuidados respiratórios domiciliários constituem uma resposta de proximidade relevante, desenvolvida em articulação com o Serviço Nacional de Saúde, mas não substituem os serviços de emergência.
Apela ainda aos utentes para que, “em situações de agravamento clínico ou risco imediato”, recorram aos meios adequados, nomeadamente através do SNS 24 (808 24 24 24) ou do INEM (112).
A Associação reafirma o compromisso do setor em contribuir ativamente para a estabilidade e segurança dos cuidados respiratórios domiciliários prestados à população, mantendo uma estreita cooperação com as estruturas oficiais ao longo deste período.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.