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Associação diz que INEM “não é eficaz” e aponta “problema sociológico”

Lusa
29-01-2026 20:14h

O presidente da Associação da Proteção Civil (APROSOC) considerou hoje que o modelo atual do INEM “não é eficaz”, afirmando que o problema do serviço de emergência médica “é sociológico”.

“A posição da APROSOC em relação ao INEM é simples. Tal como se encontra, nos nossos dias, não é eficaz. Todos somos culpados. Este é, antes de mais, em nosso entendimento, um problema sociológico da nossa sociedade”, disse João Paulo Saraiva, que foi ouvido na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) para apurar responsabilidades durante a greve no final de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.

E precisou: “se queremos encontrar responsáveis pelo estado a que chegou o INEM, basta que nos coloquemos em frente a um espelho e encontramos os responsáveis”.

O presidente da APROSOC defendeu a necessidade de georreferenciação operacional de todos os meios de emergência, públicos e privados, e rejeitou a ideia de falta de ambulâncias, apontando antes “falta de profissionais, equipamentos e instalações”.

“O INEM, tal como está, não coordena rigorosamente nada. Para o conseguir, precisa de dispor de georreferenciação e do estado operacional de todos os meios públicos, privados, sociais e empresariais que possam ser acionados em situações de necessidade”, salientou.

Em relação à greve às horas extraordinárias dos técnicos de emergência pré-hospitalar no final de 2024, João Paulo Saraiva disse que todos os partidos partilham responsabilidades pelo colapso do sistema, alertando que atrasos no socorro “acontecem todos os dias”.

“Não há ninguém, nem à direita, nem à esquerda, nem quer que seja no parlamento, que se possa eximir de responsabilidades daquilo que se passou”, realçou.

O dirigente recordou que os problemas “nem vinham só de trás, nem começaram só ali”, rejeitando a ideia de que os incidentes durante a greve fossem isolados.

“Foi só aí que as coisas correram mal? Isto corre mal todos os dias”, sublinhou, lembrando que diariamente “há gente que espera mais de uma hora para uma ambulância”.

João Paulo Saraiva classificou a situação como “própria de países de terceiro mundo”.

Entre 31 de outubro e 4 de novembro de 2024, durante a paralisação, registaram‑se 12 mortes, três das quais associadas a atrasos no socorro, segundo a Inspeção‑Geral das Atividades em Saúde (IGAS).

A CPI ao INEM realizou hoje o sexto dia de audições com o depoimento do presidente da APROSOC.

Estava também prevista para hoje a audição do presidente da Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais (ANBP) que “pediu reagendamento”. A audição de Fernando Curto será marcada para uma data posterior a definir pela CPI.

Composta por 24 deputados e com 90 dias para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação INEM, a CPI foi aprovada em julho do ano passado por proposta da IL.

O foco inclui a atuação do INEM durante a greve do final de outubro e início de novembro de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.

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