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JPP e Chega preocupados com anúncio da venda de hospital do Funchal

LUSA
23-01-2026 19:46h

O JPP manifestou hoje “total estupefação” face à decisão do Governo da Madeira (PSD/CDS-PP) de vender o Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal, considerando ser imponderada, e o Chega expressou “profunda preocupação” com a medida.

Em comunicado, o líder do Juntos Pelo Povo (JPP), o maior partido da oposição madeirense, Élvio Sousa, defende que “a decisão terá de ser travada enquanto não for cabalmente esclarecida”, vincando que o património da região “não é do PSD/CDS e não pode andar ao sabor da satisfação de vontades e favores a amigos do Governo [Regional]”.

“Esta proposta levanta sérias suspeitas e evidencia que o presidente do governo não está a zelar pelo interesse público, mas sim pelos interesses da sua clientela política e do PSD e do CDS”, sublinha.

O líder da oposição regional exige “esclarecimentos e total transparência na gestão do património coletivo dos madeirenses”, adiantando que o executivo se tem revelado “incompetente para resolver a enorme carência de camas e de lares, mesmo com a fartura de dinheiro do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência]”.

“Temos milhares de madeirenses e famílias a enfrentarem a falta de camas para idosos, pessoas nos corredores do hospital por falta de alternativas e ausência de cuidados continuados. Enquanto estes problemas se arrastam, o governo PSD/CDS está focado em negócios opacos, revelando total insensibilidade e irresponsabilidade”, refere.

O JPP apela a um “sobressalto cívico” dos madeirenses para exigirem que a equipa liderada por Miguel Albuquerque explique “os verdadeiros interesses por detrás desta decisão”.

Também o Chega, também em comunicado, manifestou a sua “profunda preocupação” face às recentes declarações do social-democrata sobre a venda do imóvel.

“Estamos a falar de um bem público essencial, pago pelos madeirenses, que não pode ser tratado como um simples ativo financeiro para tapar buracos de má gestão ou opções políticas discutíveis”, refere o líder regional do partido, Miguel Castro, citado na nota.

Miguel Castro considera que a eventual alienação representa uma “decisão estrutural, com impacto direto no Estado social regional”, e, por isso, exige “transparência absoluta em todas as fases do processo”.

“Sendo património público, todos os trâmites têm de ser públicos, claros e escrutináveis. Os madeirenses têm o direito de conhecer os estudos, os pareceres, as avaliações e, sobretudo, o destino que se pretende dar a este imóvel”, reforça.

O chefe do executivo madeirense manifestou hoje a intenção de alienar as instalações do Hospital Dr. Nélio Mendonça.

Miguel Albuquerque disse que o imóvel será vendido e a verba arrecadada servirá para apoiar a construção do novo Hospital Central e Universitário da região, atualmente em curso.

O social-democrata assegurou mesmo que a medida “já está decidida”.

“A utilidade [do imóvel] é o que está já consignado, que é nós alienarmos todo aquele espaço e a receita dessa alienação amortizar parte dos custos do Hospital Central e Universitário”, disse aos jornalistas, à margem da abertura do I Fórum Living Care, em Câmara de Lobos.

O Hospital Dr. Nélio Mendonça foi inaugurado em 1973, ocupando uma área na ordem dos 54 mil metros quadrados.

O novo Hospital Central e Universitário da Madeira, que está em construção na zona de Santa Rita, no Funchal, e deverá entrar em funcionamento em 2030, conta com seis pisos acima da cota de soleira e um piso abaixo da cota de soleira, ocupando uma área bruta de construção de 172.100 metros quadrados.

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