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Abortos atingem em Inglaterra e Gales recordes atribuídos a elevado custo de vida

LUSA
15-01-2026 19:35h

O número de abortos em Inglaterra e no País de Gales atingiu níveis recorde, segundo dados hoje divulgados pelo Governo britânico, que os especialistas atribuem às pressões económicas causadas pelo aumento do custo de vida.

Os mais recentes dados, hoje divulgados pelo Ministério da Saúde britânico, são referentes a 2023 e revelaram que o número de abortos em Inglaterra e no País de Gales foi de 277.970, o mais elevado desde a entrada em vigor da Lei do Aborto, em 1967, e 11% superior ao número registado em 2022.

A percentagem de abortos também atingiu um máximo histórico, sendo de 23 abortos por cada 1.000 mulheres com idades entre 15 e 44 anos, embora tenha aumentado em todas as faixas etárias, incluindo na de menores de 18 anos.

A maioria dos abortos (81%) ocorreu em clínicas privadas subsidiadas pelo Serviço Nacional de Saúde (NHS) britânico, 17% em hospitais públicos e os restantes 2% foram financiados com recursos privados.

Também predominaram os abortos medicamentosos, com comprimidos tomados em casa (87%), em comparação com os cirúrgicos (13%), que registaram uma redução significativa na última década.

A presidente do Colégio Real de Obstetras e Ginecologistas (RCOG) do Reino Unido, Alison Wright, sublinhou hoje num comunicado que existem diversos fatores socioeconómicos por detrás do aumento dos números do aborto.

“A pressão económica motivada pelo aumento do custo de vida está a influenciar as decisões reprodutivas das mulheres, e muitas estão a optar por adiar ter filhos ou por ter famílias mais pequenas”, comentou Wright, apontando ainda a sobrecarga dos serviços de saúde sexual nas comunidades carenciadas como outra razão.

Por seu lado, a diretora de comunicações da organização de solidariedade social British Pregnancy Advisory Service (Serviço Britânico de Aconselhamento sobre Gravidez, BPAS), Katie Saxon, sustentou que “nenhuma mulher deveria ver-se obrigada a interromper uma gravidez que, de outro modo, continuaria, apenas por razões financeiras”.

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