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ICAD alerta para aumento de comportamentos de jogo problemático

Lusa
14-01-2026 13:20h

A presidente do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) alertou hoje para o aumento dos comportamentos de jogo problemático, revelando que 1,3% da população portuguesa apresenta sinais de risco e 0,6% já evidencia dependência.

Numa audição na Comissão de Economia e Coesão Territorial, Joana Teixeira lembrou que os quadros de dependência ocorrem sobretudo nos homens “entre os 25 e os 34 anos e entre os 45 e os 54 anos”.

“Estes valores têm sido um bocadinho superiores aos registados em 2012”, sublinhou a responsável, na audição requerida pelo Livre, no contexto da discussão sobre a regulação da publicidade e do patrocínio ligados aos jogos e apostas.

Joana Teixeira recordou o Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas na População Geral de 2022, explicando que 56% dos portugueses já jogaram a dinheiro, uma percentagem acima da registada em 2016/2017, mas ainda abaixo dos 66% observados em 2012.

“Do ponto de vista de população geral a jogar a dinheiro, temos valores um bocadinho menores, mas em termos de consumo problemático de jogo e de dependência de jogo, os dados indicam aqui uma evolução crescente e daí a relevância deste tema”, disse.

De acordo com a presidente do ICAD, o Euromilhões continua a ser o jogo mais praticado, seguido da raspadinha, com maior incidência entre os 35 e os 64 anos e predominância masculina.

A responsável destacou ainda os dados mais recentes relativos aos mais jovens, lembrando o estudo do Dia da Defesa Nacional de 2024, que indica que 16% dos adolescentes de 18 anos apostam ‘online’.

“Também temos aqui outro dado que é bastante relevante que é o estudo ECATD de 2024 [Estudo sobre os Comportamentos de Consumo de Álcool, Tabaco, Drogas e outros Comportamentos Aditivos e Dependências - Portugal 2024], que é realizado nos jovens em contexto escolar, entre os 13 e os 18 anos, que mostra que 18% jogaram a dinheiro no último ano”, realçou.

Os dados indicam ainda que os jogadores são maioritariamente rapazes e que as práticas mais comuns incluem lotarias, apostas desportivas e jogos de cartas e dados.

Segundo Joana Teixeira, estes números revelam “um aumento da problemática de jogo, sobretudo nos mais jovens e no contexto ‘online’”.

A responsável alertou ainda para o aumento do jogo entre menores dos 12 aos 16 anos, impulsionado pelo fácil acesso ao ‘online’, e garantiu que o ICAD está a preparar medidas para responder ao agravamento do fenómeno.

“Temos esta análise em curso no ICAD. Temos previstas várias medidas que serão apresentadas em breve. Estamos em cima deste assunto, que é pertinente, e que tem de ser realmente analisado de uma forma cientificamente correta, e de uma forma que seja eficaz para poder ter um resultado também, em termos de saúde pública, que seja bom para a população”, salientou.

Questionada sobre o impacto da publicidade, a presidente do ICAD confirmou que é “uma questão relevante”, lembrando que os estudos mostram uma relação direta entre a exposição publicitária e a participação no jogo.

Embora sublinhe que o jogo é uma atividade lúdica e que nem todos os jogadores desenvolvem comportamentos patológicos, alertou que a publicidade aumenta o risco para quem já tem maior vulnerabilidade.

“Nem toda a população está sujeita a vir a desenvolver um quadro patológico de utilização de jogo, mas, realmente, para quem tem esta propensão, a publicidade aumenta o risco de jogar”, vincou.

Joana Teixeira, de 41 anos, assumiu funções em 1 de janeiro para um mandato de cinco anos, renovável por igual período, sucedendo a João Goulão, de 71 anos, que se aposentou.

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