A candidata presidencial Catarina Martins considerou hoje que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, conhece a realidade dos problemas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) mas “opta por mentir”, insistindo que a degradação do setor é intencional.
“Luís Montenegro conhece a realidade e opta por mentir sobre a realidade, acho que é a única coisa que podemos dizer”, afirmou, quando questionada sobre as conclusões do inquérito de acesso aos cuidados de saúde da Nova School of Business and Economics, divulgadas hoje.
Segundo o relatório, há mais portugueses doentes e as barreiras de acesso aos cuidados de saúde continuam elevadas, levando a uma probabilidade cada vez menor de uma pessoa recorrer exclusivamente ao SNS, optando pelo privado.
Os dados surgem um dia depois de o primeiro-ministro ter defendido que há uma "perceção de caos" SNS que não corresponde à realidade, argumentando que os tempos de espera nos hospitais "são os melhores dos últimos cinco anos".
“O primeiro-ministro não conhece a realidade de Portugal?”, questionou Catarina Martins, respondendo de seguida que “o primeiro-ministro conhece e o primeiro-ministro tem sabotado o SNS”.
Justificando a acusação, a candidata apoiada pelo BE às eleições presidenciais de 18 de janeiro explicou que hesitou antes de caracterizar daquela forma a atuação do executivo no que respeita à gestão do SNS.
“Durante muito tempo que estava a ser irresponsabilidade, desatenção, falta de capacidade de investimento, mas os dados são demais”, afirmou, referindo como exemplos as demissões de administrações hospitalares enquanto argumenta, a propósito da ministra da Saúde, que as demissões não resolvem os problemas, ou o plano de emergência de 100 dias que, segundo a candidata, traduziu-se em “entregar instituições do SNS a privados”.
“O Governo é assim tão incompetente ou está a sabotar o SNS? Eu não acho que o Governo seja feito de pessoas destituídas de razão, só posso concluir que há um plano de sabotagem do SNS”, concluiu.
As questões da saúde têm sido uma constante na campanha eleitoral de Catarina Martins, que quase diariamente alerta para a deterioração do acesso aos cuidados.
“Estas eleições presidenciais são sobre isso e os candidatos que não tenham coragem de dizer o que está a acontecer não vão ter coragem, enquanto presidente da República, de lutar pelo acesso à saúde e é por isso que eu sou candidata”, considerou.