O retrato é apresentado pela presidente da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa, no programa “Check-Up” do Canal S+ que não hesitou em sublinhar a falta de disponibilidade para o diálogo manifestada pela ministra Ana Paula Martins.
Patrícia Silva Pereira admite que as reformas para o Serviço Nacional de Saúde existem, mas, muitas vezes, ignoram-se os intervenientes do sector e decide-se sem ouvir quem está no terreno, o que se traduz inevitavelmente numa “falha grave”.
A académica e professora de enfermagem lembra a este respeito que não basta dispensar os Conselhos de Administração das Unidades Locais de Saúde, como sucedeu a 31 de dezembro de 2025, em dez ULS: Nordeste (Bragança), Trás-os-Montes e Alto Douro (Vila Real), S. João e Sto. António (Porto), Matosinhos, Coimbra, Médio Tejo (Abrantes), S. José (Lisboa), Litoral Alentejano (Santiago do Cacém) e Baixo Alentejo (Beja). A presidente da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa garante que é fundamental que prevaleça bom senso e se acautele os processos de transição, sem mudanças avulso e bruscas.
Na semana em que três pessoas perderam a vida, em várias localidades (Seixal, Qunta do Conde e Tavira) depois de longas esperas por socorro dos serviços de emergência, o tema voltou a colocar sob pressão o INEM e a tutela de Ana Paula Martins, sobretudo, quando se sabe que o governo ignorou os avisos da Liga dos Bombeiros sobre risco de rutura no socorro de emergência e não ativou o protocolo de reforço das ambulâncias. Perante tudo isto, Patrícia Silva Pereira pede “mudanças de estratégia” e um “trabalho de fundo que é preciso que se faça rapidamente” ou corremos o risco de voltarmos a ser um país em vias de desenvolvimento.
Patrícia Silva Pereira é convidada assídua do programa “Check-Up” do Canal S+ que estreia todas as sextas-feiras às 22:00.