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INEM abre auditoria interna à chamada do utente do Seixal

Lusa
07-01-2026 14:01h

O INEM abriu uma auditoria à chamada recebida na terça-feira de um utente do Seixal que morreu depois de ter estado três horas à espera de socorro, anunciou hoje o presidente do instituto.

“Esse primeiro passo foi determinado e essa auditoria à chamada está a ser feita”, disse Luís Cabral, em declarações hoje aos jornalistas no Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) de Lisboa.

O presidente do INEM lamentou o desfecho fatal e recusou que o atual sistema de triagem tivesse tido qualquer influência.

Luís Cabral explicou que a procura de meios se iniciou 15 minutos depois de a chamada ter sido recebida, mas as ambulâncias não estavam disponíveis “porque estavam a ser retidas nas diferentes unidades de saúde da margem sul”.

Disse que o sistema funcionou, mas os meios não estavam disponíveis, lamentando a retenção de macas nos hospitais.

“Estamos a atender mais rapidamente, identificar melhor as situações e fazemos uma melhor triagem. Se os meios que nós temos ao dispor estiverem disponíveis, vamos estar a responder em conformidade”, afirmou, acrescentando: “Não posso ter hospitais a funcionar com macas de reservas dos bombeiros”.

O responsável disse ainda que foram dadas indicações para que, a partir de agora, qualquer maca retida seja recolhida para que os hospitais percebam que as macas servem para a resposta de emergência que o INEM precisa de dar aos cidadãos.

“Não podemos deixar a maca e trazer ambulância sem maca porque esta depois não pode dar resposta”, acrescentou.

Sobre o novo sistema de triagem, recusou que tivesse tido alguma influência no desfecho fatal deste caso, afirmando: “Antigamente não havia monitorização dos tempos, os casos aconteciam e não havia esta perceção nas notícias”.

Ainda sobre o tempo de resposta, Luís Cabral disse que, em novembro, quando chegou à liderança do INEM, o tempo de atendimento de chamadas do 112 era superior a dois minutos e agora está a responder-se em menos de 20 segundos, mas voltou a insistir na necessidade de ter os meios disponíveis para poderem ser acionados quando necessário.

“Aquilo que nós queremos garantir é que as nossas macas que estão no hospital voltem com as ambulâncias e que possam ser utilizadas novamente”, acrescentou.

Disse ainda que o INEM já está a monitorizar os tempos de resposta e que para aferir dados com qualidade precisa de o fazer durante mais algum tempo, explicando que neste momento, com o pico da gripe, o INEM está a receber mais de 5.500 chamadas/dia.

“Tem de haver aqui algum tempo também no período normal, ou seja, naquilo que é a nossa atividade, nas cerca das 4.500 chamadas por dia, para poder fazer essa contabilização”, explicou.

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