O candidato presidencial Jorge Pinto afirmou hoje que se fosse Presidente da República chamaria o primeiro-ministro e ministra da Saúde para se explicarem sobre os problemas do SNS e as falhas na resposta do INEM.
“É essencial assegurar que ninguém no nosso país, onde quer que seja no território, tem de esperar mais de três horas pelo serviço de emergência. Este não é o Portugal que eu quero e comigo na Presidência da República outras medidas já teriam sido tomadas e o primeiro-ministro e a ministra da Saúde teriam sido chamados várias vezes a Belém para explicarem como é que é possível isto acontecer no nosso país”, disse, após ser questionado sobre a morte de um homem, na terça-feira no Seixal, depois de quase três horas à espera de socorro do INEM.
Jorge Pinto falava aos jornalistas, antes de uma reunião com a Ordem dos Advogados, em Lisboa, que marcou a manhã do seu quarto dia de campanha para as eleições presidenciais.
O candidato apoiado pelo Livre defendeu que um chefe de Estado “não pode deixar de falar da defesa e proteção do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”, acrescentando que “não está confortável” em viver num país em que “uma pessoa, aqui bem perto de Lisboa, espera mais de três horas pelo serviço de emergência e acaba por falecer”.
Jorge Pinto reiterou ainda a sua promessa de, caso seja eleito, organizar uns estados gerais dedicados ao SNS e criticou o investimento na saúde previsto no Orçamento do Estado para 2026.
“Olhando para a inflação, para os valores da inflação, o investimento na saúde em Portugal neste último Orçamento de Estado faz com que esse investimento seja reduzido quando comparado com o ano anterior. Isto não é sustentável no momento em que o SNS já passa por tantas dificuldades”; explicou, pedindo um reforço do investimento.
Um homem morreu na terça-feira no Seixal depois de quase três horas à espera de socorro do INEM, confirmou o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, admitindo que o novo sistema de triagem possa ter influenciado o desfecho.
A Lusa teve acesso à fita do tempo deste caso, que mostra que o homem, de 78 anos, ligou pela primeira vez a pedir socorro ao INEM pelas 11:20 de terça-feira, tendo esta situação sido classificada como prioridade 3 - que prevê o acionamento de meios em 60 minutos -, mas apenas foi enviada a viatura médica pelas 14:09, quase três horas depois
O presidente do INEM, Luís Mendes Cabral, assegurou hoje que ativou em 15 minutos o socorro para o doente que morreu no Seixal, mas não havia ambulâncias disponíveis na margem Sul para dar resposta.
Jorge Pinto falou também sobre justiça no final da reunião para apelar ao poder judicial que se abstenha de imiscuir na vida política do país, confessando-se desconfortável com o facto de outros candidatos terem sido alvo de “fugas de informação do Ministério Público”.
“Vai prejudicar não só a imagem desse candidato, possivelmente injustamente, mas vai prejudicar a imagem do nosso sistema judicial, a imagem da nossa democracia e da separação de poderes e do Estado de direito. Eu não estou confortável com isso”, lamentou, pedindo uma efetiva separação de poderes e o fim das fugas de informação.