Moçambique registou quase 1.200 novos casos de cólera no último mês, e 23 óbitos, no atual surto, de acordo com dados do Ministério da Saúde, que apontam o aumento da taxa de letalidade.
Segundo o último boletim diário da doença, da Direção Nacional de Saúde Pública, com dados de 03 de setembro a 04 de janeiro, do total de 1.721 casos de cólera - no balanço anterior, até 29 de novembro, registavam-se 559 casos e três óbitos -, 639 foram contabilizados na província de Nampula, com um acumulativo de 11 mortos, e 793 em Tete, com 13 óbitos.
No total, a doença já provocou em quatro meses, no atual surto, 26 mortos, incluindo ainda dois na província de Cabo Delgado.
Nas 24 horas anteriores ao fecho do boletim registaram-se 12 novos casos da doença e uma morte, com a taxa de letalidade a subir para 1,5%, refere o documento.
No surto anterior, com dados da Direção Nacional de Saúde Pública de 17 de outubro de 2024 a 20 de julho de 2025, registaram-se 4.420 infetados, dos quais 3.590 na província de Nampula, e um total de 64 mortos.
Pelo menos 169 pessoas morreram em 2025 em Moçambique devido à cólera, entre cerca de 40 mil casos, avançou em 10 de dezembro último o ministro da Saúde, pedindo às comunidades respeito pelas medidas de higiene individual e coletiva.
“O nosso país registou cerca de 40 mil casos de cólera, com uma taxa de mortalidade que a OMS recomenda é que não deve ultrapassar 1% e Moçambique está em 0,5% [atingiu 1,5% em janeiro], o que significa que a resposta ao tratamento da cólera é eficiente no nosso país”, disse Ussene Isse, ao responder a perguntas dos deputados, no parlamento, em Maputo.
O ministro da Saúde sublinhou que a cólera é um problema de saúde pública, pedindo respeito pelas medidas de higiene para controlar a doença.
“Recebemos cerca de 3,5 milhões de doses de vacinas para poder tratar e prevenir a cólera e aqui há um aspeto que gostaria de mencionar: É que desses 169 óbitos por cólera, cerca de 70% destes ocorreram na comunidade, o que significa que há um problema sério de informação e comunicação ao nível das comunidades”, disse Isse.
O Governo de Moçambique quer eliminar a cólera “como um problema de saúde pública” no país até 2030, conforme plano aprovado em 16 de setembro em Conselho de Ministros e avaliado em 31 mil milhões de meticais (418,5 milhões de euros).
O objetivo do Governo é "ter um Moçambique livre da cólera como um problema de saúde pública até 2030, onde as comunidades têm acesso à água segura, saneamento e cuidados de saúde de qualidade, alcançados através de ações multissetoriais, coordenadas e informadas por evidências científicas”, disse o porta-voz daquele órgão, Inocêncio Impissa.