Quase um milhar de doentes açorianos estão à espera de receberem o reembolso das diárias referentes às deslocações médicas que efetuaram das ilhas sem hospital, de acordo com os dados hoje revelados pelo Governo Regional.
Em resposta a um requerimento do Chega, entregue na Assembleia Legislativa dos Açores, o executivo liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro refere que, atualmente, mais de 740 pacientes aguardam o pagamento dos reembolsos no Hospital da Horta, o mais pequeno dos três hospitais da região.
Segundo a mesma fonte, o valor total dos apoios a conceder aos doentes deslocados, só por conta desta unidade de saúde, e que estão ainda por pagar, ascende a cerca de 112 mil euros, o valor mais elevado dos três hospitais existentes no arquipélago.
Já quanto ao Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) em Ponta Delgada, (o maior dos Açores), 220 doentes aguardam pelos pagamentos das suas diárias, o que equivale a cerca de 48 mil euros de reembolsos que estão em atraso.
A resposta do Governo ao requerimento do Chega não indica, no entanto, dados relativos aos pacientes do Hospital da Terceira, alegadamente porque aquela administração hospitalar julgou que o executivo pretendia saber quantos doentes estavam em situação de atraso, há mais de 60 dias, e, aparentemente, não haverá ninguém nessas condições.
Apesar dos números agora divulgados, o Governo Regional esclareceu que muitos destes processos estão por regularizar porque as unidades de saúde aguardam pelo envio de documentos por parte de alguns pacientes, acrescentando que a regularização dos reembolsos está a decorrer “dentro dos prazos normais de pagamento”.
Só em 2024, os três hospitais da Região pagaram cerca de 6,5 milhões e meio de euros em reembolsos a doentes deslocados, cerca de 3 ME na Terceira, 2,5 ME em Ponta delgada e 1 ME na Horta.
Nos Açores, os pacientes oriundos das ilhas sem hospital (Corvo, Flores, Pico, São Jorge, Graciosa e Santa Maria) têm direito a uma comparticipação financeira do Serviço Regional de Saúde (SRS) para ajudar a suportar os encargos com as deslocações para as ilhas com hospital (São Miguel, Terceira e Faial), sempre que necessitam de efetuar consultas médicas, exames ou cirurgias.