O presidente da Secção Regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros, Pedro Soares, disse hoje que confia “piamente” na solução do hospital modular, como forma de garantir cuidados aos açorianos enquanto não for reconstruído o Hospital de Ponta Delgada.
“Eu confio continuamente e piamente nesta solução”, disse aquele profissional de Saúde, ouvido hoje na Comissão Parlamentar de Inquérito ao incêndio no Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), que terminou esta sexta-feira uma ronda de audições a várias personalidades e instituições, com vista a apurar as causas e as consequências dos estragos provocados pelo fogo ocorrido em 04 de maio de 2024.
Apesar disso, Pedro Soares reconheceu que o hospital modular, que custou cerca de 30 milhões de euros (mais do dobro do que o valor inicialmente previsto pelo Governo dos Açores), vai continuar a necessitar de alguns aperfeiçoamentos, ao longo do tempo.
“Eu considero, pessoalmente, que o hospital modular tem as condições base que nós necessitamos neste momento. Agora, é preciso que nós tenhamos todos a noção, e isso tem vindo a acontecer nos últimos tempos, de que são precisos alguns ajustes aqui e ali”, admitiu o presidente da Secção Regional da Ordem dos Enfermeiros.
A opção do executivo regional de coligação (PSD, CDS-PP e PPM), pela construção de um hospital modular, tem gerado grande controvérsia nos Açores, uma vez que alguns partidos políticos, e também alguns antigos administradores hospitalares, defendem que o dinheiro aplicado neste investimento devia ter sido usado na recuperação do HDES.
Os deputados da CPI questionaram Pedro Soares sobre se a Ordem dos Enfermeiros tinha emitido um parecer positivo à solução do hospital modular, como tinha sido anunciado pelo presidente do Governo dos Açores, o social-democrata José Manuel Bolieiro, mas aquele responsável fala apenas em “pronúncia”.
“Uma coisa é um parecer, outra coisa é uma pronúncia. Aquilo que nós fizemos foi emitir pronúncias sobre a hospitalização modular e sobre o incêndio no HDES. Essas pronúncias, muitas vezes, foram feitas em reuniões, dada a velocidades dos acontecimentos”, justificou Pedro Soares.
Os partidos da oposição (PS e BE), tentaram, durante a audição parlamentar, explorar a alegada contradição do Governo, sobre o parecer emitido pelos profissionais de saúde à solução do hospital modular, aproveitando também a audição, esta semana, do presidente da Ordem dos Médicos nos Açores, Carlos Ponte, que disse concordar com a opção do executivo, mas que também alega não ter dado qualquer parecer sobre o assunto.
O presidente da Secção Regional da Ordem dos Enfermeiros afirmou, por outro lado, que o edifício principal do Hospital de Ponta Delgada continua a não ter condições para receber os doentes e critica os técnicos que defendiam uma intervenção rápida no edifício, logo após a tragédia, para que as instalações pudessem recuperar a sua normal atividade.
“Dizer que conseguíamos limpar as paredes, dar uma pintura e mudar uns fios, e estávamos prontos para iniciar, eu acho que isto é brincar com a saúde e com coisas sérias, que é a segurança dos nossos utentes”, insistiu Pedro Soares, admitindo que não deu “credibilidade” ao estudo interno do HDES, que admitia a possibilidade de o hospital reabrir em agosto do ano passado, apenas três meses após o incêndio.
O responsável pela Ordem dos Enfermeiros nos Açores explicou ainda que as escusas de responsabilidade apresentadas por vários enfermeiros do HDES, alegando falta de condições no serviço de urgência (ainda antes do incêndio), diminuíram, entretanto, mas que algumas delas ainda persistem no hospital modular, por falta de recursos humanos.