Mais de 700 pessoas foram mortas ou feridas na Síria por minas ou munições desde a queda do regime de Bashar al-Assad, no início de dezembro, afirmou hoje o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV).
O CICV indicou que o aumento do número de vítimas está ligado ao regresso crescente de pessoas deslocadas a casa e à intensificação das ações militares no país, de acordo com um comunicado.
"Desde 08 de dezembro de 2024, a Síria tem assistido a um aumento trágico do número de vítimas de engenhos explosivos. Entre essa data e 25 de março deste ano, foram registadas 748 vítimas, das quais 500 desde 01 de janeiro", referiu o CICV.
Em 2024, a organização internacional registou 912 vítimas.
“Com um número crescente de pessoas deslocadas a regressar às áreas de origem, desde dezembro passado, muitos civis estão a aventurar-se, sem saber, em áreas perigosas depois de anos longe de casa”, adiantou o CICV.
O CICV salientou igualmente que os riscos para os civis aumentaram devido aos “veículos militares” e aos ‘stocks’ de armas abandonados pelo regime de Al-Assad.
Segundo a ONU, mais de um milhão de pessoas, incluindo 800.000 deslocados internos e 280.000 refugiados, regressaram às suas casas na Síria desde a queda de Al-Assad.
As minas terrestres e os resíduos explosivos de guerra estão espalhados por grande parte da Síria, na sequência de uma guerra que deixou mais de meio milhão de mortos e mais de 10 milhões de refugiados e deslocados.
Segundo estimativas internacionais, foram utilizadas um milhão de munições explosivas durante a guerra, tal como referido pela organização não-governamental Handicap International (HI) em março.
A HI indicou que estão por explodir entre 100.000 e 300.000 dessas munições.