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Profissionais de saúde angolanos barrados em Luanda prometem manifestações nacionais

LUSA
28-03-2025 17:53h

Médicos e enfermeiros angolanos foram impedidos hoje de entrar, por alegadas “ordens superiores”, no auditório do Memorial António Agostinho Neto (MAAN), em Luanda, onde realizariam uma conferência de imprensa, e prometeram manifestações nacionais, disse fonte sindical.

“Fomos barrados de entrar no MAAN numa altura em que nós cumprimos com todos os formalismos necessários para que fizéssemos essa reunião - enviámos uma carta à instituição, fizemos o pagamento - e, mesmo assim, fomos impedidos (…). Acreditamos que tudo foi propositado, obedeceram a ordens superiores, porque não havia razões para não termos acesso à sala”, disse hoje o presidente do Sindicato Nacional dos Médicos Angolanos (SNMA), Adriano Manuel.

A conferência de imprensa, que acabou por acontecer na zona adjacente ao MAAN, onde estavam concentrados mais de 70 profissionais da saúde, entre médicos e enfermeiros, era para “repudiar” o afastamento de seis profissionais do Hospital Pediátrico de Luanda David Bernardino por alegada negligência médica.

Trata-se de três médicas e dois enfermeiros demitidos e uma médica expulsa, todos pelo Ministério Saúde, que disse constatar “negligência médica” no caso de um menor que morreu no dia 01 de janeiro passado, após aguardar quase duas horas para ser atendido.

Segundo Adriano Manuel, os profissionais visados não tiveram contacto com o referido paciente porque a chefe de equipa (demitida), os restantes médicos residentes e os enfermeiros estavam a atender pacientes graves nas enfermarias, considerando que a decisão do seu afastamento “foi diabólica”.

O presidente do SNMA prometeu avançar para uma série de manifestações nacionais e uma greve geral nos próximos dias, até que os profissionais afastados sejam readmitidos, salientando que a unidade hospitalar conta com poucos funcionários para atender à procura.

“A chefe da equipa médica estava a ver outros doentes graves na enfermaria, não viu o doente, os dois rondas [enfermeiros] estavam nas duas alas de internamento, cada com mais de 100 doentes, e não viram o paciente [no banco de urgência]”, referiu.

O médico pediatra assegurou que os profissionais do Hospital Pediátrico de Luanda “solidários” com os colegas afastados devem avançar com uma ação judicial contra o Inspetor-Geral da Saúde, porque “ele agiu de má-fé e de forma diabólica para preservar o seu cargo”.

“Foi uma atitude diabólica, tudo porque ele quer preservar o seu cargo, ficou claro aí que ele quer preservar o seu cargo e nós não podemos ficar parados”, declarou.

Segundo os resultados do inquérito do Ministério da Saúde, apresentados na quarta-feira, foram verificados “atos de negligência graves” e “negação frontal” dos valores éticos por parte da equipa médica e que terão contribuído para a morte do menor de dois anos, cujo pai, na ocasião, gravou um vídeo clamando por ajuda na urgência daquele hospital.

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