O presidente da Câmara de Évora culpou hoje o Governo pela demissão da Administração da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC) por considerar que atribuiu responsabilidades do novo hospital a “um órgão que não tinha condições”.
“É atirar competências e responsabilidades para cima de um órgão que não tinha condições para tal. E, portanto, compreendo perfeitamente a posição que o Conselho de Administração tomou”, afirmou à agência Lusa o presidente do município, Carlos Pinto de Sá.
Assinalando que já tinha alertado para a existência de problemas nas competências da empreitada, o autarca, eleito pela CDU, considerou que este “é mais um episódio” que o deixa “profundamente preocupado”.
O CA da ULSAC anunciou na quarta-feira à noite, em comunicado, ter apresentado, nesse mesmo dia, a sua demissão em bloco ao Governo invocando divergências em relação à responsabilidade de construção do Novo Hospital Central do Alentejo (NHCA), em Évora.
A ULSAC, sediada em Évora, disse ter comunicado as demissões dos membros da administração aos ministros da Saúde e de Estado e das Finanças, Ana Paula Martins e Joaquim Miranda Sarmento, respetivamente.
A Lusa já questionou o Ministério da Saúde, através de correio eletrónico, sobre estas demissões, mas ainda não obteve qualquer resposta.
Nas declarações prestadas hoje à Lusa, o presidente da Câmara de Évora lamentou que nunca se tenha criado “uma estrutura própria para a gestão” da obra do NHCA, em construção na periferia da cidade, defendendo que essa seria uma opção “natural”.
“Dividiram-se competências pela Administração Central, CCDR [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional], Administração Regional de Saúde (ARS) e câmara e a obra foi avançando aos soluços com grandes dificuldades e com uma gestão algo complicada”, salientou.
Pinto de Sá defendeu que esta demissão “mostra que a passagem de responsabilidades da extinta ARS para a ULSAC não resolve o problema principal” e sugeriu a criação de “uma estrutura capaz de fazer a gestão das obras do hospital.
“Neste momento, começo a ter alguma preocupação [sobre] se não há uma tentativa de alterar o tipo de gestão que estava previsto para o NHCA”, acrescentou.
O CA da ULSAC é presidido por Vítor Rui Gomes Fialho, com António Henrique Martins Guerreiro e Maria do Céu da Cruz Canhão como vogais executivos, enquanto Maria Rebocho é a diretora clínica, Nuno Jacinto é o diretor clínico para a Área dos Cuidados de Saúde Primários e José Chora é o enfermeiro diretor.
O CA esclareceu que a renúncia aos cargos “foi motivada, entre outras razões, pelo facto de [este órgão] não se rever na instrução contida” no despacho de 17 de fevereiro da secretária de Estado da Gestão da Saúde relativa à gestão da obra do NHCA.
Esta obra, “após mais de 40 meses de execução, está ainda longe do seu termo, quando estava prevista a sua realização em 30 meses e conclusão durante o ano 2024”, disse o órgão demissionário.
E “a sua previsível conclusão em 2026, ou mesmo 2027, carece de um modelo de gestão diferente do definido, caso contrário vai continuar a acumular custos e atrasos”, alertou.