O ministro de Saúde moçambicano pediu hoje aposta na manutenção de equipamentos médicos hospitalares, defendendo que acelera o diagnóstico de doenças e o tratamento para salvar vidas.
“Por isso quando dizemos que a manutenção salva vidas é uma verdade e uma realidade, porque conseguimos fazer diagnóstico cedo dos problemas de saúde, conseguimos tratar rapidamente e conseguimos devolver a vida aos nossos moçambicanos”, disse o ministro da Saúde de Moçambique, Ussene Isse.
O responsável falava no Instituto de Ciências de Saúde de Infulene, em Maputo, na abertura da reunião de lançamento do projeto de Revitalização da Manutenção Hospitalar no Serviço Nacional da Saúde, em que destacou que a área de manutenção é “crucial e vital” para a saúde dos moçambicanos, pedindo aposta nele para salvar mais vidas.
“Sabem que há equipamentos para diagnósticos, há equipamentos para a monitorização do doente, para tratamento, então, se falha esta componente da manutenção, obviamente que iremos perder vidas”, alertou Ussse Isse.
O Japão, através da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), ofereceu a Moçambique computadores e ferramentas para ajudar na manutenção de equipamentos hospitalares, iniciativa que conta também com a ajuda do Hospital Geral Nipo-Brasileiro, que vai prestar apoio técnico ao país no processo de manuseio dos materiais e na manutenção.
Na fase inicial, os materiais vão ser testados em seis hospitais, designadamente de Lichinga e Cuamba, na província do Niassa, Pemba, em Cabo Delgado, Xai-Xai e Bilene, na província de Gaza, e uma unidade sanitária na cidade de Maputo.
O ministro da Saúde pediu também aos profissionais da saúde para acelerarem os trabalhos de inventariação do material hospitalar para permitir que seja mais rápido o processo de manutenção das máquinas e outros materiais médicos.
“Queremos ver um movimento muito forte de todos nós para andarmos atrás daquilo que está cheio nos nossos armazéns, algumas coisas com pequenas soluções para ter o equipamento a funcionar e estamos aí a gastar rios de dinheiro trazendo apoios externos, empresas externas que não conseguem resolver os nossos problemas. Gastamos muito dinheiro enquanto temos um país com capacidade de avançar”, disse Ussene Isse.
Defendeu ainda que ter equipamentos funcionais e operacionais reduz o tempo de espera nos hospitais e promove uma saúde mais justa e humana.
“Queremos ver os equipamentos a funcionar, queremos ver uma redução drástica do tempo de espera para os equipamentos serem reparados porque há capacidade, há condições para avançarmos”, apelou o governante.
Além da revitalização de serviços, o ministro quer ver operacional, ainda este ano, a central nacional de manutenção operacional.
Na mesma cerimónia, o representante da JICA em Moçambique apontou “desafios constantes” na manutenção de equipamentos hospitalares no país, referindo que os utilizadores destas máquinas não têm formação para as operar, aumentando a probabilidade de avarias e reduzindo o tempo de vida útil.
“Em muitos sistemas de saúde e em particular de Moçambique ainda lidamos com inventários incompletos ou desatualizados, aquisição de equipamentos que não obedecem a modelos de padronização, falta de peças de reposição, ausência de manutenção preventiva e escassez significativas de técnicos de manutenção”, notou o representante residente da JICA em Moçambique, Kazuki Otsuka.
Para este responsável, estes desafios comprometem diagnósticos e tratamentos urgentes, pedindo programação de manutenção preventiva, que, disse, não pode ser vista como atividade opcional ou evento esporádico.