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Repressão a manifestação contra as Nações Unidas na RDCongo mata uma pessoa

LUSA
02-12-2019 18:53h

Pelo menos uma pessoa morreu hoje durante a repressão de uma manifestação no leste da República Democrática do Congo (RDCongo), onde os protestos contra a presença das Nações Unidas na região têm sido comuns, noticiou a imprensa local.

Um homem terá sido baleado no abdómen durante a manhã de hoje em Kiwanja, no território de Rutshuru, refere o diário congolês Actualité, que acrescenta que este terá ainda sido levado a um hospital local.

As atividades socioeconómicas na região foram hoje paralisadas, com a cidade a ter os seus estabelecimentos encerrados após um apelo lançado em Rutshuru, refere o diário.

A mesma fonte acrescenta que parte da população se mostra solidária com a de Beni, onde mais de 100 civis foram mortos desde o início de novembro.

Em Rutshuru, os manifestantes ergueram barricadas e queimaram pneus na estrada principal e, em resposta, a polícia e o exército congolês tentaram dispersar os manifestantes, tendo recorrido a gás lacrimogéneo e ao disparo de balas reais.

Na quinta-feira, a Organização Mundial de Saúde (OMS) informou que suspendeu as operações na cidade congolesa de Biakato após dois ataques a centros de prevenção do Ébola na região.

O ataque ao campo de prevenção e resposta, em Biakato, na sequência do qual um membro da equipa de vacinação e dois motoristas morreram, fez com que muitos dos funcionários da OMS e outras agências a trabalhar na zona, num total de cerca de 200 pessoas, fossem retirados, disse então o diretor da organização para emergências na área da saúde, Michael Ryan.

Os ataques são, segundo a OMS, os piores sofridos este ano pelas unidades sanitárias, dependentes desta e de outras organizações internacionais no combate ao surto de Ébola naquela zona, onde este ano ocorreram centenas de incidentes deste tipo, que causaram sete mortos e 77 feridos, recordou Ryan.

O atual surto de Ébola, que abala a RDCongo desde agosto de 2018, já causou 2.199 mortes e infetou 3.304 pessoas, é o segundo pior desde que a doença foi conhecida, superado apenas pela epidemia que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016.

Os ataques ocorreram durante a noite num centro de alojamento em Biakato Mines e no gabinete de coordenação da resposta ao Ébola em Mangina, na província de Ituri (nordeste do país).

Pelo menos 19 civis foram mortos num ataque do grupo armado autodenominado Forças Democráticas Aliadas (ADF) perto de Beni, leste da RDCongo, realizado dois dias depois de outro ataque à missão das Nações Unidas no país.

Desde que o exército congolês começou uma operação contra os rebeldes ugandeses, no princípio do mês, as ADF mataram dezenas de pessoas em ataques sucessivos, o que motivou protestos entre os civis que não se sentem seguros e acusam a Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO) de inação.

A instabilidade na região levou a que o Reino Unido emitisse, na sexta-feira, um boletim em que desaconselhou a realização de viagens ao extremo-norte e a toda a região leste da RDCongo.

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