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Pescadores exigem compensação pela interdição da captura da conquilha no Algarve

LUSA
19-11-2019 18:41h

Armadores e pescadores da ganchorra do Algarve manifestaram-se esta manhã no porto de Olhão para exigir ao Governo medidas compensatórias à interdição de captura de conquilhas.

“Há milhares de pessoas a apanhar conquilha no verão, e quem se aproveite para fazer captura ilegal, mas não tem havido notícias de sustos por intoxicação” alertou à Lusa Miguel Cardoso, presidente da organização de produtores de pesca do Algarve (Olhãopesca).

Não sentido um real interesse por parte do Governo e do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) para a resolução desta questão, Miguel Cardoso pede, em última instância, “uma saída digna”, com a inclusão no próximo quadro comunitário da imobilização definitiva por “abate do barco”.

Cerca de 90% das 50 embarcações existentes entre Faro e Vila Real de Santo António apenas podem pescar com recurso à ganchorra – arte de arrasto destinada à captura de bivalves –, sendo necessário investimento para que pudessem ter uma outra licença.

Em 2014 esta frota faturou 1 milhão e 400 mil euros, realçou aquele responsável, lamentando que após cinco meses de interdição, sem compensações, a vida do pescadores e armadores esteja cada vez mais complicada.

Inácio Rodrigues é um dos pescadores que se juntou à manifestação pacífica desta manhã e, com 29 anos, já “governa o barco do pai”. À Lusa revelou que nestes últimos meses a vida não tem “sido fácil”, sobrevivendo com as economias que “tem juntado” e fazendo as refeições “alternadamente em casa de familiares”.

Mesmo parados, os barcos têm um custo de “200 a 300 euros” mensais e sem compensações, o que, com a agravante de as paragens “serem cada vez mais frequentes”, faz com que o pescador não saiba como vai ser o seu futuro, revelou.

As espécies bivalves capturadas com ganchorra são a amêijoa-branca, a amêijoa pé-de-burrinho e a conquilha, sendo a última a mais rentável para a frota, mas também, aquela cuja captura é mais vezes interditada devido à presença de toxinas.

Com 80 anos, João Dias de Sousa afirmou à Lusa que, desde maio - altura em que entram num defeso de um mês e meio - apenas foi possível pescar uma semana na zona de Tavira, em julho, desde aí “estão sem trabalhar”.

Com os 65 anos que “leva de mar” afirmou que o “marisco não tem nada”, e só após a desova é que pode estar “um pouco fraco, lá para junho”, mas o resto do tempo “está sempre bom”, destacando os muitos turistas que o apanham no verão sem “qualquer problema”.

Mário Carmo, outros dos armadores presentes no protesto, revelou à Lusa que esteve dez anos a trabalhar em França e decidiu “aplicar as poupanças” num barco que se encontra parado “há mais de cinco meses”.

O armador aproveitou para manifestar alguma indignação pelo facto de o Governo apelar a que os emigrantes regressem, já que procurou “investir no pais” e se encontra constantemente “impedido de trabalhar”.

A organização do protesto garante que não vai parar por aqui, embora mantendo a esperança de que esteja para breve uma reunião conjunta com o secretário de Estado das Pescas, o IPMA e a Direção Geral dos Recursos Naturais.

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