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Covid-19: Benim "não tem os meios dos países ricos" para impor isolamento - Presidente

LUSA
30-03-2020 16:43h

O Presidente do Benim alertou hoje que o país não tem "os meios dos países ricos" para cumprir as recomendações da Organização Mundial de Saúde sobre isolamento social para conter a propagação da covid-19.

"Para acompanhar as reduções na mobilidade ou o isolamento, os países ricos estão a libertar enormes somas de dinheiro e outros até estão a recorrer a soluções monetárias mal disfarçadas, ou mesmo a entrega de dinheiro para evitar o caos socioeconómico que de outra forma seria inevitável", vincou Patrice Talon num discurso transmitido pela televisão estatal e citado pela agência France-Presse (AFP).

“O Benim não dispõe destes meios (...). E se tomarmos medidas que deixem todos famintos, elas acabarão rapidamente por serem questionadas e desrespeitadas”, acrescentou o chefe de Estado.

A partir de segunda-feira, oito grandes áreas urbanas, incluindo a capital constitucional, Porto Novo, e a capital económica, Cotonou, serão cercadas por um cordão sanitário e os transportes públicos serão suspensos nessas cidades.

De acordo com a AFP, vários analistas têm questionado os números anormalmente baixos de infeções da covid-19 no país, que registou apenas seis casos confirmados, principalmente quando os vizinhos Togo e Gana, que adotaram fortes medidas de contenção, registam 28 e 141 casos, respetivamente.

Na semana passada, uma manifestação de estudantes da universidade de Abomey-Calvi que reclamava o fecho da universidade e de todas as escolas do país acabou em violência, resultando na morte de um estudante.

Na sequência dessa manifestação, o Governo decretou o fecho de escolas e dos locais de culto.

O número de mortes em África resultante de infeção por covid-19 passou nas últimas 24 horas de 117 para 134, com o número de casos a aumentar de 3.924 para 4.282, segundo as estatísticas mais recentes.

No total, mantêm-se os números de países com casos registados (46) e o de países com mortes por infeção pelo novo coronavírus (19).

De acordo com dados do Centro para a Prevenção e Controlo de Doenças (CDC) da União Africana (África CDC), a África Central regista 214 casos, mantendo-se nove mortes e seis recuperações, enquanto a África Oriental regista 324 casos, quatro mortes e seis recuperações, igual a sábado.

No norte de África, onde se concentra a maior parte dos casos, o CDC atualizou os números, registando agora 1.716 casos, aumentando o número de mortos de 85 para 98, e também o número de recuperados, de 205 para 211.

Na África Austral, há 1.230 infetados, dois mortos e 31 pessoas conseguiram recuperar.

A África Ocidental, por seu lado, registou um aumento das infeções, de 691 para 798 casos, que resultaram em 21 mortes e 48 recuperações.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 667 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 31.000.

Dos casos de infeção, pelo menos 134.700 são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

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