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RDCongo enfrenta pior epidemia de cólera em décadas - OMS

Lusa
04-11-2026 19:11h

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou hoje que a República Democrática do Congo (RDCongo) enfrenta a pior epidemia de cólera em décadas, com 1.800 mortos e mais de 60.000 casos desde o início do ano.

Além do Ébola, que já provocou, em cinco meses, mais de 5.300 mortos em mais de 10.400 casos, “a RDCongo enfrenta também a sua pior epidemia de cólera em décadas, com mais de 60.000 casos e 1.800 mortes registados desde o início do ano”, alertou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, numa conferência de imprensa em Genebra.

“A maioria dos casos provém, tal como no caso do Ébola, das duas províncias do leste da RDCongo (Kivu do Norte e Kivu do Sul), mas o preocupante é que estão agora a ser notificados casos ao longo da bacia do rio Congo, o que significa que a doença poderá alastrar até Kinshasa”, no oeste do país, acrescentou.

Segundo a OMS, 2025 registou o maior número de casos notificados em mais de 25 anos, mas “o ano em curso anuncia-se ainda mais grave”.

“A propagação da doença em zonas de difícil acesso, afetadas por conflitos (…) é particularmente preocupante”, devido ao “risco de estas epidemias sobreporem-se à de Ébola”, e a atual época das chuvas deverá “favorecer a propagação da doença, incluindo na capital, Kinshasa”, indicou ainda a organização.

A taxa média de letalidade é elevada, rondando os 3%, o que evidencia as dificuldades de acesso aos tratamentos.

“Penso que será muito importante dar especial atenção às campanhas de vacinação”, sobretudo no leste do país, sublinhou Tedros.

O Grupo Internacional de Coordenação (GIC) do Aprovisionamento de Vacinas, que integra a OMS, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) e a organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF), aprovou, com o apoio financeiro da Aliança para as Vacinas (Gavi), a atribuição de 7,4 milhões de doses para 2026.

Um novo pedido está também a ser analisado, acrescentou a organização.

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