A Liga portuguesa da Ambulâncias (LPA) apelou hoje à compreensão de automobilistas e população para os condicionamentos de trânsito que a marcha lenta, de protesto, das empresas transportes de doentes possam causar na próxima segunda-feira em Lisboa.
Este apelo surge na sequência do anúncio que a LPA fez na quinta-feira de que as empresas de transporte de doentes vão realizar no próximo dia 26 um protesto em Lisboa com cerca de 100 ambulâncias e outros veículos afetos à atividade, numa marcha lenta que atravessará a Ponte 25 de Abril e chegará às ruas da capital.
O protesto foi anunciado num comunicado, no qual a LPA adiantou que a manifestação pretende alertar o Governo e a opinião pública para a grave situação económica do setor e para a falta de condições das empresas para exercerem a sua atividade.
Hoje, também em comunicado a LPA divulgou o local de concentração, que será na Rotunda Sul de Almada, pelas 07:00 da manhã de segunda-feira, e o trajeto da marcha lenta.
Assim, pelas 08:00 da manhã, de acordo com o previsto, inicia-se a marcha lenta, que atravessará a Ponte 25 de Abril e tem como primeiro local de destino o Parque Eduardo VII, em Lisboa, ponto de convergência de viaturas e manifestantes.
Depois, manifestantes e viaturas seguem pelas ruas de Lisboa para os Ministérios da Saúde e das Infraestruturas e Habitação, Assembleia da República e Residência Oficial do Primeiro-Ministro, em São Bento, pela ordem referida.
Em São Bento, os organizadores entregarão um memorando com as principais reivindicações e propostas da LPA.
Por isso, a Liga "apela à compreensão dos automobilistas e da população para os eventuais condicionamentos de trânsito" e assegura que a iniciativa "será realizada de forma pacífica, com respeito pelas orientações das autoridades e salvaguardando a circulação dos veículos em missão de emergência".
"Não queremos deixar de transportar doentes. Queremos que o Governo nos dê condições para continuar a fazê-lo", afirmou a liga, na nota divulgada na quinta-feira, especificando que a marcha lenta pretende ser um protesto "contra a exclusão dos apoios aos combustíveis, os preços impostos pelo Estado e os atrasos nos pagamentos do SNS".
A LPA sublinha que esta manifestação "surge após meses de contactos institucionais, pedidos de audiência e sucessivos alertas dirigidos ao Governo e a diversas entidades públicas, sem que, até ao momento, tenham sido encontradas soluções satisfatórias para os problemas estruturais que afetam esta atividade", acrescenta na nota.
E realça que as empresas que "todos os dias asseguram o transporte de milhares de portugueses" para consultas, exames, hemodiálise, quimioterapia, radioterapia, fisioterapia e outros tratamentos "estão a ser confrontadas com custos crescentes, preços administrativamente condicionados e atrasos no pagamento dos serviços prestados ao Serviço Nacional de Saúde".
Segundo a LPA, a publicação do Decreto-Lei n.º 199/2026, de 07 de outubro, que estabelece apoios extraordinários para compensar o aumento do preço dos combustíveis em diversos setores, também não é alheia a este protesto, pelo contrário, porque a medida "veio agravar o sentimento de injustiça entre os empresários do transporte de doentes".
"Enquanto os apoios abrangem atividades como o transporte em táxi e os veículos de transporte de doentes das associações humanitárias de bombeiros, as empresas privadas licenciadas para a mesma atividade continuam sem um enquadramento equivalente", destaca.
A esta situação acresce, de acordo com a nota, o facto de os preços de transporte de doentes estarem sujeitos a valores estabelecidos administrativamente, o que limita a capacidade das empresas para fazerem refletir o aumento dos custos com combustíveis, salários, manutenção, seguros e aquisição de viaturas.
Por último, "muitas empresas enfrentam atrasos significativos nos pagamentos por parte de instituições do SNS, sendo obrigadas a suportar durante meses os custos de serviços já realizados", realça.
A Liga Portuguesa de Ambulâncias reclama medidas concretas e urgentes para o setor, designadamente, a inclusão imediata das empresas de transporte de doentes nos apoios extraordinários aos combustíveis, em condições de igualdade com os restantes operadores, a revisão dos preços do transporte de doentes, ajustando-os à realidade dos custos operacionais e garantindo a sustentabilidade económica da atividade, bem como a regularização dos pagamentos em atraso pelas instituições do SNS e o cumprimento efetivo dos prazos.
Além disto, a LPA exige a abertura de "um diálogo efetivo com o Governo, com compromissos concretos e um calendário de resolução dos problemas identificados".