Uma investigação revelou sinais preocupantes de poluição na Baía de Luanda, associados a vários fatores, entre os quais concentrações elevadas de coliformes fecais em três dos quatro pontos analisados, divulgou hoje a EcoAngola.
A pesquisa independente, financiada por contribuições voluntárias de cidadãos, foi realizada pelas organizações de defesa ambiental angolanas EcoAngola e Guardiões da Costa Mwangolé na sequência da alteração anormal da coloração da água da Baía de Luanda e do aparecimento de peixes mortos, observados a 25 de setembro passado.
“A iniciativa teve como objetivo procurar respostas científicas para o fenómeno observado e avaliar as condições de qualidade ambiental da Baía, um ecossistema costeiro de grande importância ecológica, económica e social para a cidade de Luanda”, lê-se na nota.
Os resultados da investigação feita às amostras de água recolhidas, em quatro pontos da Baía, no início deste mês, demonstraram que “alguns parâmetros, nomeadamente a temperatura, salinidade, pH e oxigénio dissolvido, apresentavam valores compatíveis com as características esperadas para águas marinhas costeiras”.
“Contudo, foram identificados indicadores preocupantes de poluição, principalmente associados à contaminação microbiológica, ao enriquecimento por nutrientes e à possível presença de metais em concentrações elevadas”, acrescenta.
Os resultados das análises demonstraram indicadores de contaminação por esgotos, devido a concentrações elevadas de coliformes fecais em três dos quatro pontos analisados, sugerindo que “águas residuais domésticas, sistemas de drenagem urbana ou outras fontes de poluição poderão estar a contribuir para a degradação da qualidade da água”.
“A contaminação microbiológica constitui uma preocupação ambiental e de saúde pública, especialmente em áreas utilizadas para atividades recreativas, piscatórias ou outras formas de contacto direto com a água, como é o caso da Baía de Luanda”, indica.
Foram também identificadas concentrações elevadas de nutrientes, nomeadamente nitritos e fosfatos, que, embora naturais aos ecossistemas aquáticos, o excesso pode favorecer o crescimento excessivo de algas e provocar alterações no equilíbrio ecológico dos ambientes marinhos.
A análise encontrou também a presença de metais potencialmente poluentes, com valores elevados de alumínio, chumbo e cádmio em diferentes pontos da Baía.
“Estes metais podem representar riscos para os organismos aquáticos, dependendo das suas concentrações, formas químicas e condições ambientais”, avança-se na pesquisa, realçando ser necessário ainda confirmação destes resultados mediante novas análises.
“Por este motivo, os valores obtidos devem ser interpretados como resultados preliminares que justificam investigação adicional, não permitindo ainda determinar a extensão da contaminação ou os seus possíveis impactos na cadeia alimentar”, realça-se.
Com base na avaliação dos quatro pontos de amostragem, a equipa de investigação classificou o estado ecológico geral da área estudada como moderadamente degradado, com áreas localizadas em situação crítica.
“Esta classificação reflete os resultados da campanha de amostragem realizada e não deve ser interpretada como uma avaliação exaustiva de toda a extensão da Baía de Luanda”, refere-se na nota.
Quanto ao que provocou a alteração da cor da água e a morte dos peixes, “a investigação não permitiu identificar uma causa única e conclusiva para o fenómeno observado a 25 de setembro”.
“O estudo identificou problemas relevantes de qualidade ambiental, mas não existem evidências suficientes para estabelecer uma relação direta entre os contaminantes encontrados e a alteração da coloração da água ou a mortalidade dos peixes”, lê-se.
De acordo com a nota, os resultados reforçam a necessidade de melhorar os sistemas de saneamento, drenagem urbana e controlo de descargas, bem como de promover a divulgação regular de informações sobre a qualidade ambiental da Baía.