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Taxa de partos por cesariana nos Açores foi de 45% em 2025, acima da média nacional

Lusa
15-10-2026 17:31h

A taxa de partos por cesariana nos três hospitais dos Açores, rondou em 2025 os 45%, acima da média nacional (33%), apesar das recomendações da Organização Mundial de Saúde, que sugere, sempre que possível, a realização de partos naturais.

A elevada taxa de cesarianas nos Açores, que suscitou a apresentação de um requerimento no parlamento regional por parte do deputado único do Bloco de Esquerda, António Lima, é influenciada, sobretudo, pelos números do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, onde quase metade dos partos realizados em 2025 foram feitos por meio de cirurgia.

Na resposta ao requerimento, o Governo Regional de coligação (PSD, CDS-PP e PPM) faz apenas referência às taxas de cesarianas nos hospitais da Terceira e da Horta (42,1% e 31,7%, respetivamente), mas remete para o relatório e contas do HDES informações sobre as cirurgias realizadas durante os partos no maior hospital dos Açores.

O relatório em causa, disponível na internet, na página oficial do Governo Regional, em azores.gov.pt, consultado pela Lusa, indica que 49,19% dos partos realizados no HDES, durante o ano passado, foram feitos por meio de cirurgia, número que representa um aumento de 5% em comparação com o ano anterior.

No hospital da ilha Terceira, a percentagem de cesarianas foi também elevada em 2025, com 42,1%, mas o número diminuiu em comparação com 2024, ao passo que no hospital da Horta a percentagem de cesarianas até está abaixo da média nacional, rondando, neste caso, os 31,7%.

Em Ponta Delgada e na Terceira, grande parte das cesarianas foram registadas como sendo urgentes, e resultaram de alegadas complicações e riscos associados às gravidezes, enquanto na Horta a maioria das cesarianas já estava previamente programada.

Os três hospitais dos Açores justificam o recurso a este elevado número de cesarianas com o facto de haver cada vez mais grávidas acima dos 35 anos de idade, com maior risco de complicações, e também com alegadas “falhas de indução” durante o trabalho de parto.

O executivo açoriano garante que tem implementado diversas medidas para reduzir a taxa de cesarianas na região, promovendo, sempre que possível, partos “mais seguros e naturais”, mas lembra que “a decisão sobre o tipo de parto está sob a alçada clínica".

Em Portugal foram registados 87.130 partos em 2025 (mais 3,7% do que em 2024), ao passo que nos Açores foram contabilizados 1.968 partos, no mesmo período (mais 5,2% do que no ano anterior).

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