SAÚDE QUE SE VÊ
CANAL S+

“Há falhas graves no plano e o que deveria ser feito era parar a obra”, afirma Inês Muller sobre a remoção de amianto em Cascais

MHC/CANAL S+
15-10-2026 15:57h

A remoção de materiais com amianto na Escola Secundária de Cascais, iniciada a 12 de outubro em pleno período letivo, está a gerar forte preocupação na comunidade educativa.

A intervenção decorre no antigo edifício da escola (conhecido por "Poli"), contíguo ao novo espaço inaugurado a 21 de setembro. Relatos diretos e testemunhos no local denunciam incumprimentos graves nas regras de segurança: as placas de fibrocimento com cerca de 50 anos estão a descamar e a ser manuseadas sem contenção vertical, sem resina aglutinante e sem aspiração de poeiras, libertando partículas desconhecidas no ar acima dos dois metros de altura.

Em entrevista ao Canal S+, Inês Muller, diretora do Agrupamento de Escolas de Cascais, revelou que foi surpreendida no domingo, 11 de outubro, por um e-mail enviado ao final da tarde de sexta-feira a anunciar o início dos trabalhos no dia seguinte. A responsável sublinha que, há mais de um ano, vinha a solicitar uma calendarização prévia para acautelar o normal funcionamento das aulas e a segurança de todos.

Apesar de a empresa responsável pela obra e os engenheiros da empreitada alegarem a existência de um plano autorizado pela Autoridade para as Condições do Trabalho, a direção do agrupamento e o Conselho Geral exigiram a intervenção das autoridades de saúde. O parecer sanitário emitido pela Delegação Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo da Direção-Geral da Saúde veio validar as preocupações da escola, identificando omissões e falhas críticas no plano de trabalhos: o risco de inalação de amianto foi subestimado, o valor limite de exposição citado estava desatualizado, não foi identificado o operador de resíduos perigosos e a aspiração final com filtros HEPA não estava prevista como obrigatória. Perante a presença de alunos no estabelecimento, a DGS ponderou expressamente o reagendamento da intervenção para uma interrupção letiva.

Inês Muller explicou que, após tomar conhecimento do relatório da DGS e constatar que a tutela e a autarquia mantinham a empreitada, decidiu informar toda a comunidade escolar para garantir a transparência do processo.

A divulgação do parecer da DGS levou muitos encarregados de educação a retirar os alunos da escola por razões de segurança. Inês Muller reforça que a remoção do amianto é necessária, mas exige a suspensão imediata dos trabalhos até que todas as recomendações de isolamento e contenção da DGS estejam garantidas, colocando a saúde pública e a segurança da comunidade escolar acima de qualquer calendário de obras.

O Canal S+ já tentou obter uma reação por parte da Câmara Municipal de Cascais, mas, até ao momento, não obteve resposta. 

MAIS NOTÍCIAS