O unicórnio português Sword, que desenvolve soluções de saúde com IA, alargou a parceria com o SNS e a partir de hoje os médicos podem prescrever o seu programa remoto de reabilitação do pavimento pélvico.
A tecnológica refere que a partir desta data os médicos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) "vão poder prescrever o programa remoto de reabilitação do pavimento pélvico da Sword" e que "o programa estará disponível para prescrição pelos médicos em todos os centros de saúde e hospitais públicos do país, sem custos para as utentes".
Ou seja, a parceria é alargada à saúde da mulher, sendo que a reabilitação do pavimento pélvico da Sword pode ser prescrita para condições como endometriose, incontinência urinária e reabilitação pós-parto.
As disfunções do pavimento pélvico "incluem condições como a incontinência urinária e fecal, o prolapso dos órgãos pélvicos e a dor pélvica", recorda a tecnológica, em comunicado.
Este é um problema de saúde que muitas vezes é vivido em silêncio por milhares de mulheres em Portugal.
De acordo com uma análise com mais de 10 mil mulheres portuguesas, "um em cada 10 reportou ter incontinência urinária". Esta prevalência sobe de 6,3%, entre os 18 e os 39 anos, para 40,8% entre os 75 e os 85 anos.
Outro estudo nacional recente com 1.200 mulheres com mais de 50 anos, segundo a Sword, "concluiu que 61% já tiveram episódios de incontinência", sendo que metade nunca falou desta situação com um médico.
"Em junho demos o primeiro passo para levar cuidados de saúde com IA [inteligência artificial] a todos os portugueses. Hoje damos o segundo, numa área em que milhares de mulheres sofrem em silêncio, durante anos por vergonha ou falta de acesso", afirma o presindete executivo (CEO e fundador da Sword, Vírgio Bento, citado em comunicado.
Com este programa da Sword, "cada mulher pode fazer o tratamento recomendado no conforto da sua casa, com total privacidade, à hora que lhe for mais conveniente e sempre acompanhada por uma equipa clínica especializada. Já o fizemos com milhares de mulheres nos EUA, vamos fazê-lo agora em Portugal", remata o executivo.
A secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, salienta, também citada em comunicado, que "as projeções de impacto desta nova modalidade apontam para a possibilidade de um milhão de mulheres em Portugal poderem vir a beneficiar de melhores condições de acesso a cuidados de reabilitação do pavimento pélvico".
Tratam-se de "mulheres que poderão encontrar uma resposta mais próxima, mais conveniente e mais adaptada à sua vida quotidiana, com a possibilidade de realizar os seus programas terapêuticos a partir do conforto das suas casas, sem deslocações ou tempos de espera desnecessários", acrescenta a governante.
"A saúde é um direito fundamental e garantir a igualdade no acesso a cuidados de saúde de qualidade e personalizados é essencial para uma sociedade mais igualitária. As necessidades específicas de saúde da mulher devem ser reconhecidas e acompanhadas com respostas adequadas, garantindo que todas as mulheres têm acesso aos cuidados de que precisam, com dignidade e qualidade", afirma Carla Rodrigues, secretária de Estado Adjunta e da Juventude e da Igualdade, no comunicado.
A disponibilização do programa no SNS "insere-se na convenção nacional para telereabilitação em Medicina Física e de Reabilitação, criada pelo Despacho n.º 1211/2026. A convenção abrange explicitamente as disfunções pélvicas e exige o uso de dispositivos médicos com marcação CE e registo no INFARMED".