Os Estados Unidos preveem disponibilizar até 23,2 milhões de euros para melhorar o acesso a cuidados de saúde nas comunidades moçambicanas, focados na prevenção e tratamento do VIH/Sida, tuberculose, malária e na saúde materna, neonatal e nutrição.
“Temos muito orgulho por Moçambique ter sido selecionado como um dos 17 países prioritários desta iniciativa, com até 26 milhões de dólares [23,2 milhões de euros] para o primeiro ano”, disse hoje o diretor do Escritório de Assistência Externa da Embaixada dos EUA em Maputo, Mark Troger.
Troger falava em Maputo durante a abertura de um 'workshop', com a duração de três dias, destinado a definir o modelo de implementação da iniciativa, em parceria com a World Vision Moçambique.
A iniciativa, designada Apoio à Saúde através das Organizações Comunitárias e Baseadas na Fé (OCBF), pretende melhorar o acesso aos cuidados de saúde através de organizações religiosas e comunitárias, reforçando a prevenção de doenças, a divulgação de informação e o encaminhamento de doentes para as unidades sanitárias.
Segundo Troger, as atividades serão definidas em consulta com as partes envolvidas, de modo a responder às necessidades de Moçambique e complementar os programas de saúde já apoiados pelos Estados Unidos.
Segundo os promotores da iniciativa, no final do 'workshop' será elaborada uma proposta de implementação, a enviar para Washington para apreciação e aprovação final do financiamento.
O montante previsto é complementar ao memorando de entendimento de 1,8 mil milhões de dólares (1,6 mil milhões de euros) assinado este ano entre os governos moçambicano e norte-americano para apoiar o setor da saúde, não substituindo as intervenções já abrangidas pelo acordo.
A diretora nacional da World Vision Moçambique, Maria Carolina, considerou que a iniciativa constitui uma oportunidade para reforçar os cuidados de saúde comunitários, através da mobilização social, da promoção da literacia em saúde e da melhoria dos mecanismos de encaminhamento de doentes.
“É uma oportunidade para reforçar os esforços do subsistema de saúde comunitária”, afirmou Maria Carolina, defendendo uma maior articulação entre as estruturas comunitárias e os serviços de saúde, sobretudo nas zonas onde as dificuldades de acesso limitam a procura de cuidados.
Por sua vez, o diretor nacional de Planificação e Cooperação do Ministério da Saúde defendeu a articulação da iniciativa com as prioridades nacionais, considerando que a aproximação dos serviços às comunidades é fundamental para melhorar o acesso aos cuidados de saúde primários.
“Esta iniciativa nasce para valorizar a proximidade do setor da saúde às populações, de forma organizada e coordenada, e trata-se também de uma abordagem peculiar que visa tornar cada vez mais consistente esta articulação entre o setor da saúde”, disse José Manuel, acrescentando ser igualmente importante preparar mecanismos que permitam garantir a continuidade das atividades apoiadas pelo programa.
A iniciativa pretende reforçar o papel das organizações comunitárias e baseadas na fé na divulgação de informação de saúde e no encaminhamento de doentes, contribuindo para melhorar o acesso aos cuidados de saúde, sobretudo em comunidades com dificuldades de acesso às unidades sanitárias.