O índice de estigma e discriminação contra pessoas que vivem com Vírus de Imunodeficiência Humana (VIH) em Moçambique caiu para menos de metade desde 2013, mas ainda afeta 21% do total, segundo um estudo hoje divulgado.
O Índice de Estigma e Discriminação de Pessoas Vivendo com VIH e Populações-Chave, realizado em 2025 na cidade de Maputo e em seis províncias do país, ainda em versão preliminar, apresentado hoje em Maputo e desenvolvido pela Kuyakana - Rede Nacional de Organizações de Mulheres e Raparigas Vivendo com HIV/SIDA, compara com o registo de 51% há 12 anos.
"Mesmo assim ainda temos uma batalha pela frente", disse aos jornalistas o ativista Adelino Mechico, na apresentação do estudo, defendendo a continuidade das ações de sensibilização e consciencialização para reduzir a discriminação contra as pessoas que vivem com o vírus.
O estudo abrangeu a cidade capital e as províncias de Maputo, Gaza, Sofala, Zambézia, Nampula e Cabo Delgado, tendo analisado as experiências das pessoas que vivem com VIH/Sida, com as futuras recomendações a servirem para reforçar a resposta nacional ao VIH, segundo o Ministério da Saúde moçambicano, que organizou a apresentação de hoje.
De acordo com Mechico, vão ser propostas medidas dirigidas a diferentes setores da sociedade e estabelecido como meta reduzir o índice de estigma e discriminação para menos de 10%.
No estudo foram ainda analisadas experiências relacionadas com o acesso aos serviços de saúde, os cuidados prestados nas unidades sanitárias e a gestão da informação clínica, recolhendo perceções dos participantes sobre situações vividas durante a procura de assistência.
Moçambique tem uma prevalência estimada de VIH de 11,6% entre pessoas com 15 ou mais anos, contra 12,4% identificados num estudo comunitário realizado em 2021, segundo explicou na cerimónia Francisco Mbofana, secretário executivo do Conselho Nacional de Combate ao VIH/Sida.
De acordo com Mbofana, as estimativas de 2025 apontam para cerca de 2,5 milhões de pessoas a viver com VIH no país, das quais 87% conhecem o seu estado serológico, 87% encontram-se em tratamento e 76% alcançaram a supressão viral.
"Uma das principais barreiras que estamos a lutar contra é exatamente a questão do estigma e discriminação", afirmou Mbofana, defendendo que a redução destes fenómenos pode levar mais pessoas a fazer o teste e a permanecer em tratamento.
O responsável indicou que Moçambique registou cerca de 77 mil novas infeções por VIH em 2025, contra aproximadamente 160 mil em 2010, considerando que o número de novas infeções continua elevado e que o objetivo é interromper a transmissão do vírus.
Mbofana apontou as províncias da Zambézia, Maputo, Sofala e Nampula entre as com maior número de pessoas afetadas, explicando que a dimensão da população influencia estes números, mesmo quando a prevalência não é das mais elevadas.
"Em termos de prevalência mais alta, continua a ser Gaza. Gaza tem cerca de 20%", afirmou Mbofana, acrescentando que a cidade de Maputo apresenta uma prevalência de aproximadamente 16%.
Acrescentou que outra meta do país é chegar a 95% das pessoas com VIH a conhecerem o seu estado serológico, sublinhando que o diagnóstico precoce, a continuidade do tratamento e a supressão viral são fundamentais para reduzir novas infeções.