O Governo cabo-verdiano recomendou hoje à população que evite banhos em barragens e quedas de água na ilha de Santiago, na sequência de casos de esquistossomose, doença que pode provocar lesões em vários órgãos.
“O ministro da Saúde alerta a população para evitar banhos em barragens e cachoeiras em Santiago, sobretudo nas zonas onde já foram identificados casos de esquistossomose e anuncia medidas para conter o aumento de casos em São Miguel”, lê-se em comunicado divulgado na Internet.
A esquistossomose é uma doença causada por parasitas, através da pele em contacto com água contaminada, depois de passarem parte do ciclo de vida em caracóis hospedeiros.
Os sintomas podem começar com comichão e febre e, se a doença não for tratada, podem evoluir para dores abdominais e lesões nos órgãos.
Cabo Verde regista 182 casos, quase todos na zona da Ribeira Principal, na ilha de Santiago, disse o ministro da Saúde, Lúcio Fernandes, no parlamento, na quinta-feira.
Segundo o governante, estão a ser preparadas campanhas de sensibilização e Cabo Verde conta com o apoio de especialistas do Comité Regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para África para tomar outras medidas.
A OMS informou em fevereiro que a transmissão da esquistossomose foi confirmada em Cabo Verde, “país que anteriormente não era considerado endémico”.
O arquipélago não integra a lista de 50 países onde a organização recomenda a distribuição em larga escala do antiparasitário praziquantel.
A Agência Nacional de Água e Saneamento (ANAS) de Cabo Verde recomendou, em abril, medidas de controlo e desinfeção após a confirmação de novos casos no concelho de São Miguel, no interior da ilha de Santiago.
Os primeiros registos da doença remontam a 2022, no mesmo concelho, com cerca de 200 casos, com maior incidência em crianças e adolescentes entre os 4 e os 16 anos, todos acompanhados e tratados pelas estruturas de saúde.
Na altura, os casos foram monitorizados pelas autoridades de saúde pública, em colaboração com o Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa (IHMT/UNL).