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Despesa em prevenção em saúde pode estar subavaliada - estudo

Lusa
08-10-2026 12:17h

Um estudo sobre políticas públicas de prevenção em saúde concluiu que, em Portugal, a despesa nesta área pode não refletir o verdadeiro investimento por falta de sistemas de informação eficazes.

O trabalho, que analisou as políticas prioritárias em 11 países europeus, aponta para a necessidade de reforçar a vacinação ao longo da vida, a literacia em saúde e a utilização de dados e inteligência artificial.

Segundo esta análise, desenvolvida no âmbito do projeto +Prevenção, coordenado pelo NOVA Center for Global Health (NCGH), da NOVA Information Management School (NOVA IMS), e pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), apenas 40,9% das políticas públicas de prevenção avaliadas em Portugal apresentam níveis elevados de concretização.

Entre os especialistas consultados, 88,2% consideram que o investimento efetivamente realizado em prevenção poderá estar subestimado devido às dificuldades em operacionalizar as metodologias oficiais de reporte e às limitações dos atuais sistemas de medição e monitorização.

Explicam que parte da atividade preventiva acontece integrada na prestação habitual de cuidados de saúde - desde os cuidados de saúde primários ao acompanhamento da doença crónica -, não sendo identificada separadamente como prevenção.

Há ainda investimento com impacto preventivo realizado fora do setor da saúde, em áreas como educação, ambiente, habitação, emprego, proteção social ou intervenção municipal, que não é integralmente captado pelos atuais sistemas de contabilização.

"A prevenção não acontece apenas nos hospitais ou centros de saúde. Acontece nas escolas, nos locais de trabalho, nas comunidades e nas decisões do dia a dia. Precisamos de capacitar as pessoas para cuidarem da sua saúde e garantir que ninguém fica para trás no acesso à prevenção", defende Sónia Dias, diretora da ENSP, citada em comunicado.

Na mesma nota, o presidente do NOVA Center for Global Health, Ricardo Batista Leite, considera que o maior desafio para Portugal é transformar a prevenção numa “prioridade estrutural e consistente” das políticas públicas.

“Numa sociedade cada vez mais envelhecida, investir em prevenção não é um custo: é uma condição para garantir a sustentabilidade futura do sistema de saúde e a qualidade de vida das pessoas”, acrescenta.

Os investigadores apontam ainda a necessidade de Portugal evoluir de uma visão centrada na despesa para uma lógica de investimento em prevenção, associando os recursos aplicados a indicadores de cobertura, acesso, equidade e resultados em saúde.

O estudo identifica a imunização e os rastreios como as áreas com níveis mais elevados de implementação em Portugal e nos restantes países europeus analisados e os investigadores apontam para a necessidade de aumentar a participação nos programas de rastreio e reduzir as desigualdades no acesso às medidas preventivas.

Para os autores deste trabalho, o futuro da prevenção passará por três prioridades fundamentais: reforçar a concretização de políticas públicas de prevenção ao longo da vida, melhorar a monitorização e informação em prevenção e avaliar de forma sistemática o retorno dos investimentos realizados nesta área.

No índex desenvolvido no projeto + Prevenção, Portugal obteve 55,3 pontos em 100, ocupando a 7.ª posição, em linha com a média global (55,6 pontos), apresentando níveis elevados em áreas como a imunização e o rastreio.

Em contraste, os níveis mais baixos de implementação surgem na Educação para a Saúde e Literacia em Saúde, assim como na utilização de dados e inteligência artificial.

Além de Portugal, a análise abrangeu 22 políticas públicas de países como Alemanha, Bélgica, Chéquia, Espanha, França, Grécia, Letónia, Polónia, Roménia e Suécia.

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