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Vespa asiática aumenta significativamente em Vila Flor e autarca pede medidas

Lusa
07-10-2026 18:39h

A vespa asiática está a proliferar no concelho de Vila Flor, tendo sido já destruídos este ano o triplo dos ninhos comparativamente a 2025, alertou, hoje, o presidente da câmara, que considera estes números preocupantes e pede medidas.

Em declarações à Lusa, o autarca Pedro Lima revelou que, em 2025, o município destruiu 55 ninhos, ao passo que este ano, que ainda não terminou, já foram destruídos 156.

“Por este andar, este ano, chegaremos perto dos 200 ninhos e isso significa que, (…) previsivelmente, iremos destruir quatro vezes mais o número de ninhos que destruímos o ano passado e acho que isso significa que vamos ter que ter um empenho maior, equipas, ferramentas, formação adequada”, apontou.

Para o presidente da Câmara de Vila Flor, esta “aceleração significativa” da propagação da vespa é “preocupante” e, por isso, obriga a um trabalho “mais complexo” e a um esforço “bastante grande” do município, que tem investido em recursos humanos e ferramentas no combate à vespa.

“O nosso objetivo é de proteger a atividade económica associada à apicultura e nós vamos fazer o que for preciso fazer para destruir os ninhos. Assim que temos a informação da existência dos mesmos, nós agimos de forma diária e imediata”, vincou.

A vespa asiática faz os seus ninhos nos topos das árvores, postes e também arbustos, e alimenta-se de insetos, nomeadamente abelhas, podendo ter um forte impacto na apicultura.

Por isso, o município tem distribuído armadilhas pelos apicultores do concelho. No ano passado, foram instaladas 65 armadilhas, que capturaram 2.293 vespas. Este ano foram instaladas 80 e a captura duplicou, tendo matado até ao momento 4.327 vespas.

As armadilhas com maior número de vespas mortas estão no Vale da Vilariça, acreditando Pedro Lima que poderá estar relacionado com as condições edafoclimáticas desta zona do território, propícia à agricultura.

“Eu diria que é preocupante, sem dúvida, a propagação desta espécie, porque tem uma prevalência em termos de porte de tamanho em relação à nossa abelha, que não dá hipótese de sobrevivência”, alertou, adiantando que os apicultores “relatam perdas de enxames e, portanto, perdas económicas também significativas”.

Para o também presidente da Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes, este trabalho deve ser feito em todos os municípios, porque “é necessário haver uma resposta mais integrada e, se calhar, mais musculada”, mas também pelas entidades competentes.

“Eu acho que se calhar é tempo (…) de fazer uma reflexão mais aprofundada, mas também, acima de tudo, com técnicos, com responsabilidade e conhecedores e competência no assunto, e termos outra perspetiva, ver o que é que outros países fazem, aprender com outras situações para podermos aumentar, talvez, o grau de resposta, ou melhor, o grau de aviso, e termos uma resposta um bocadinho mais musculada”, apontou.

Ainda de acordo com o autarca, as pessoas estão cada vez mais atentas para a identificação de ninhos de vespa asiática, o que também tem ajudado no seu combate.

A vespa asiática terá sido importada acidentalmente numa mercadoria de bens alimentares vindo da Ásia. Em Portugal foi identificada pela primeira vez em 2011, na região de Viana do Castelo, por entomólogos e apicultores.

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