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Aos 81 anos José Eduardo fez um documentário mas queixa-se de ter "repouso a mais"

LUSA
05-10-2026 10:00h

Aos 81 anos José Eduardo participou num documentário, mas continua a lamentar ter “repouso a mais” e o autor da obra, o humorista Carlos Coutinho Vilhena, defendeu que também a realização de séries ou ‘podcast’ podem combater o isolamento.

“Eu não posso dizer mal disto [Casa do Artista] porque as instalações são ótimas, mas é um bocado sufocante estar aqui preso porque eu não fiz mal a ninguém”, desabafou à Lusa o ator José Eduardo.

Todos os anos tem convites para participar em trabalhos, como filmes e séries, mas José Eduardo gostaria de poder quebrar a rotina mais vezes.

“Sair daqui faz sempre bem. Quando saio daqui acho que fico mais novo não sei quantos anos”, observou José Eduardo, que no ano passado, realizou pela primeira vez um espetáculo de humor (`stand-up´) a que assistiram mais de 5.000 pessoas, uma experiência que deu origem ao documentário "Não há papéis para Velhos", que estreou no mês passado.

José Eduardo admitiu que o espetáculo de `stand-up´ foi o projeto mais assustador da sua vida, uma vez que já não pisava um palco há mais de 20 anos e nunca atuou para mais de 200 pessoas, quando fazia teatro.

Apesar de a experiência ter sido assustadora, disse que voltaria a dizer que sim ao espetáculo.

O humorista e autor do documentário, Carlos Coutinho Vilhena, de 33 anos, escolheu José Eduardo para subir ao palco e disse à Lusa que a ideia surgiu da vontade de querer fazer um espetáculo “que ainda não tinha sido feito”, sobre o “medo de envelhecer”.

O objetivo do projeto era provar que se o conteúdo do espetáculo for bom, é possível ter graça e agradar o público em qualquer idade, disse o humorista.

Para Carlos Coutinho Vilhena, a Casa do Artista, que acolhe 75 artistas com mais de 65 anos, podia produzir conteúdos com os moradores, como `podcasts´ ou séries, em que se contariam histórias e conversas.

“É uma forma não só de os manter ativos, mas também ser um cartão de visita para fazer outros projetos”, explicou o humorista, indicando que “a perspetiva de alguém que está numa fase mais adiantada da vida pode ser sempre interessante em ‘podcast’”.

Fora das artes, Carlos Coutinho Vilhena defendeu que a produção de conteúdos com pessoas que vivem em aldeias isoladas e até mesmo relacionados com a rotina dos idosos, como a ida a um centro de saúde ou a vida no campo, pode ser interessante e uma oportunidade para combater o isolamento.

A combater este isolamento há 26 anos, a associação Coração Amarelo apoia 2.000 idosos do continente e região autónoma da Madeira com a ajuda de 700 voluntários que lhes proporcionam atividades como idas ao cinema ou ao teatro, entre outras.

A fundadora da associação, Rosa Araújo, disse que os projetos e as ideias do humorista são importantes para ajudar os idosos, mas defendeu que para combater a solidão é preciso mudar a estrutura de apoio e a forma de atuar, como por exemplo, a criação de uma rede de apoio domiciliário, começando pelas autarquias.

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