Cerca de 950 mil pessoas saíram às ruas durante o fim de semana em 33 localidades de Espanha para exigir o direito à habitação, de acordo com o balanço divulgado no domingo pela plataforma sindical Poder Inquilino.
Nos protestos, que ocorreram em várias cidades espanholas, após o parlamento ter rejeitado medidas do Governo para mitigar a crise habitacional, estiveram um total de 946.350 pessoas, de acordo com a contabilização da plataforma.
Em Madrid foi registado o maior número de manifestantes: cerca de 500 mil, segundo os organizadores, enquanto as autoridades reconheceram 70 mil.
Os protestos intensificaram-se após o despejo, na semana passada, de Maricarmen Abascal, de 87 anos, que, entretanto, conseguiu regressar a casa após um acordo com a imobiliária mediado pela Câmara de Madrid.
Outras localidades com elevada adesão ao protesto foram Valência, com 80 mil pessoas, Málaga e Múrcia, ambas com 50 mil, Saragoça e Granada, com 40 mil, Bilbau com 25 mil, as ilhas Canárias, com 20 mil, assim como Vigo e Ovieu, e ainda a Corunha com 15 mil manifestantes, enquanto Logronho contou com 12 mil, de acordo com os números divulgados pela Confederação dos Sindicatos de Inquilinas.
Sevilha, Maiorca e Cádis receberam cerca de 10 mil manifestantes nas suas ruas.
Na sequência do caso de Maricarmen, o Governo aprovou dois diplomas - um como a proibição dos despejos e isenções ficais e outro, que prevê a renovação automática dos contratos de arrendamento.
Porém, o Congresso, com os votos contra do PP, Vox e Junts, rejeitou o decreto com as medidas para a habitação.
O Partido Nacionalista Basco e a Coligação Canária também se juntaram na rejeição do diploma contra a renovação dos contratos de arrendamento.
Na sequência, milhares de pessoas saíram à rua, gritando palavras de ordem como: “Lavadores de dinheiro das rendas fora dos nossos bairros” ou “Venceremos esta luta, custa o que custar”.
A porta-voz do Sindicato dos Inquilinos de Madrid, Valéria Racu, já afirmou que uma greve geral pela habitação deverá ocorrer “em breve”, apesar de se escusar a avançar uma data.
Um protesto em Barcelona estava também previsto para a tarde de hoje, mas foi cancelado devido às condições meteorológicas.
Numa publicação nas redes sociais, o Sindicato dos Inquilinos anunciou que a manifestação foi reagendada para segunda-feira, 05 de outubro, na Plaça Urquinaona.